Pinheirense a fazer história à boleia de Ricardinho

Equipa da cidade onde nasceu o melhor jogador do mundo perto de uma final (Taça da Liga) em ano de estreia na primeira divisão
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O Unidos Pinheirense está a um passo de fazer história no futsal nacional. A equipa da cidade de Valbom, distrito do Porto, onde nasceu Ricardinho, o melhor jogador de futsal do mundo, pode chegar pela primeira vez à final da Taça da Liga. Numa altura em que falta apenas uma jornada, a equipa está com um pé na final eight (final a oito), que se joga em Sines, em janeiro, mas está sem poder contar com Formiga, o jogador mais experiente, até ao Natal, por castigo.

Apesar de poder fazer história, o treinador do atual sexto classificado, com 13 pontos (quarta-feira viu serem-lhe retirados três pontos no jogo com o Burinhosa, da 7.ª jornada, devido a incidentes, por decisão do Conselho de Disciplina da FPF, mas vai recorrer da decisão), lembrou que “o foco da equipa é apenas e só na manutenção”.

Com um plantel feito com a prata da casa e um reforço ou outro, o clube ganhou um lugar na I Liga no verão, quando a Federação anunciou que iria ocupar a vaga deixada em aberto pelo SL Olivais, que desistiu da competição.

O clube nasceu em 1958 e o futebol foi rei até que o fenómeno Ricardinho começou a crescer e tomou conta dos pavilhões de Valbom ao ponto de já lhe chamarem “a capital do futsal”. O jogador do Movistar é um dos patrocinadores da equipa e cede o espaço da sua escola de futsal para os mais jovens do Pinheirense poderem treinar.

Agora, vinte anos depois de começar a apostar na formação, o clube, em que o presidente é primo do treinador, está a viver o melhor ano desportivo de sempre, muito graças ao apoio dos adeptos quando jogam no Pavilhão Municipal de Valbom. “Em média 450 dos 500 lugares do pavilhão estão ocupados”, segundo o treinador João Vigário, explicando que há anos que o recinto foi batizado com o nome do estádio do Boca Juniors, o “La Bombonera”, conhecido pelo seu ambiente frenético e intimidador para os adversários. “Começou por ser uma brincadeira, mas a verdade é que o ambiente é ensurdecedor e os adversários acusam não só o barulho como o facto de ser o único pavilhão de piso sintético da I Liga”, revelou João Vigário à agência Lusa.

No entanto, por imperativos televisivos, os jogos em casa com o Sporting e Benfica são sempre no Pavilhão Multiusos, em Gondomar, um detalhe que o treinador não considera “prejudicar a sua equipa”. Para João Vigário esse é “o preço do crescimento” e se o clube se mantiver mais anos na I Liga o destino acabará por ser “um pavilhão de maior dimensão”.

Com um dos “orçamentos mais baixos da I Liga, entre os 80 e 100 mil euros”, segundo o diretor Eduardo Gonçalves, o Unidos Pinheirense vive desde quarta-feira uma crise governativa, com o presidente, Marco Vigário, a anunciar a demissão por discordar do castigo aplicado pela Federação.

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