Pessoa, Salazar e o barril de crude

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Em Mensagem, Pessoa tem um poema, sobre termos deixado fugir Colombo para Espanha, que começa assim: "Outros haverão de ter/ O que houvermos de perder." Em 1934, Mensagem concorreu a um prémio do Estado Novo e perdeu para A Romaria, de um desconhecido Reis Ventura. A 13 de Abril de 1955 (faz hoje 55 anos), pelas cinco da tarde, Reis Ventura, simples funcionário da Petrofina, subiu ao palácio do governador-geral, na Cidade Alta de Luanda, com um frasco. Não era a ele que o governador Agapito Silva Carvalho recebia, mas ao engenheiro belga, Georges Brognon, que o acompanhava e levava a novidade: nessa madrugada, de um poço de Benfica-Sul, a 25 quilómetros da capital, tinha jorrado petróleo. O frasco, de dois litros e com tampa de prata, era a oferta do primeiro petróleo angolano. No dia seguinte, na Bolsa de Bruxelas, as acções da Petrofina dispararam. Em Lisboa, este DN titulou: "Petróleo de Luanda é superior ao da Arábia." Exagero, hoje, Angola é só o maior exportador de África. A agência Lusitânia insinuava a influência de Nossa Senhora de Fátima, por ser dia 13... Mas o milagre foi outro: na semana seguinte, os jornais calaram-se sobre o assunto. Consta que Salazar disse: "Só me faltava isso! Tapem, tapem..." Fernando Pessoa tem outro poema que começa por dizer: "Este senhor Salazar/ É feito de sal e azar."

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