Pescadores ameaçam «varar a barra»

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> H. S.

«O abate de embarcações é um grande negócio para os armadores, que ganham milhares de contos com cada demolição e um péssimo negócio para os trabalhadores, que em cada uma são atirados para o desemprego».

O alerta é de Joaquim Piló, presidente do Sindicato dos Pescadores, que se afirma radicalmente em oposição aos armadores nesta matéria. «O que os grandes armadores querem é ganhar dinheiro e ter mão-de-obra barata», diz, lembrando ainda que «Portugal já ultrapassou em 46% o abate de frota permitido pela legislação comunitária. «Portugal ficou reduzido ao osso», desabafa.

Para Joaquim Piló, que ameaça com formas de luta que podem chegar a «varar a barra», impedindo a passagem dos barcos, se da reunião que os pescadores vão ter dia 19 com o ministro da Agricultura e Pescas não saírem garantias de apoio específico à pequena pesca, as prioridades para o sector prendem-se com o apoio à gasolina, a defesa dos recursos, a estabilidade dos stocks e o fim do mercado livre de primeira venda.

Sobre esta última questão, o representante dos pescadores insurge-se contra o facto de os pescadores serem obrigados a entregar o peixe à lota. «O preço já baixou mais de 25% em lota, mas os intermediários fixam os preços de venda ao consumidor que querem. Perdem os pescadores e perdem os consumidores, que não vêem reflectida essa quebra.»

Isto acontece para todas as espécies, com excepção da sardinha, acrescenta Joaquim Piló, explicando que «há um stock estável de sardinha, porque os armadores, pescadores e sindicato acordaram que era a melhor forma de haver máximos de captura. Porque é que não se faz o mesmo para a pescada, o tamboril e todas as outras espécies?», questiona.

A paragem aos fins-de-semana é outra das medidas reivindicadas pelos pescadores, por considerarem que contribuiria igualmente para a estabilidade dos stocks e a defesa das reservas.

No que respeita à criação de uma central de compras com o objectivo de baixar o preço do gasóleo, Joaquim Piló expressa as maiores reservas, uma vez que, na pequena pesca, a maioria das embarcações utiliza gasolina.

«Se a central anunciada pelo Governo contemplar também a compra de gasolina, estamos de acordo, caso contrário opomo-nos frontalmente e vamos à luta. «Podemos até varar a barra», ameaça.

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