É na sub-região do Tâmega-Sousa e no Oeste e Médio Tejo que há uma maior carência de oferta de Ensino Superior (ES) para os jovens. "Quer nos municípios à volta de Penafiel e de Paços de Ferreira, quer em Sintra e na coroa norte da Área Metropolitana de Lisboa - que são alguns dos concelhos mais jovens do país - não existe Ensino Superior (ES) para aquele stock de estudantes que termina o Secundário", adianta ao DN o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), António Sousa Pereira. Para o responsável "vivemos muito da ideia de dividir o país entre Litoral e Interior, quando, na realidade, as zonas verdadeiramente pobres, com mais exclusão social, um menor número de alunos no ES, não são no Interior, mas sim no Litoral e nas periferias das grandes áreas urbanas"..António Sousa Pereira invoca o estudo da EDULOG - Fundação Belmiro de Azevedo, o qual regista que, enquanto em Bragança há um estudante do Ensino Superior para cada 11 habitantes e em Coimbra para 12, na região do Tâmega e Sousa só há um estudante para 224 habitantes. No caso do Oeste, há um estudante para cada 110 habitantes, no Médio Tejo um estudante para cada 100 pessoas. Na Área Metropolitana do Porto, a relação é de um estudante para 31 habitantes - e na Área Metropolitana de Lisboa de um estudante para 26 habitantes. Alto Minho, Alto Alentejo, Viseu e Algarve são também áreas onde o rácio é desfavorável, pelo que, para o CRUP, exigem um esforço adicional para atrair mais jovens para o Ensino Superior..Questionado sobre as soluções que possam reverter o cenário atual, António Sousa Pereira explica que abrir mais polos e universidades nessas zonas onde a oferta é muito escassa, não resolveria, por si só, o problema. "Nesta fase é preciso investir muito mais precocemente, motivando os alunos para a conclusão do Ensino Secundário e para a entrada no Superior. É preciso que tenham condições para estudar com programas de apoio mais completos", avança, sublinhando que "raramente uma situação complexa tem uma solução simples"..O também reitor da Universidade do Porto relembra tratar-se de uma "situação que está identificada há muitos anos". António Sousa Pereira acredita serem necessários "programas de apoio social muito grandes" e uma política de atração do tecido empresarial. "Por um lado, são necessários planos de ação social no Ensino Secundário e que se identifiquem os estudantes com potencial. Paralelamente, os concelhos têm de atrair empresas e aumentar os salários médios. Caso contrário, serão sempre zonas de mão-de-obra indiferenciada e que não progridem. Mas só se atraem empresas que oferecem salários melhores se tiverem essa diferenciação com mão-de-obra qualificada", afirma..Segundo o presidente da CRUP, a periferia de Lisboa tem uma percentagem muito baixa e alarmante de alunos no ES, bem como a zona do Tâmega, no norte do país. "Quando eu comparo qualquer zona do país com o Tâmega e Sousa, os dados são um drama. Significa que não é nos próximos anos que aquela zona vai evoluir a nível social e económico e que são necessárias políticas a montante mais robustas. Existe o preconceito de que é no Interior que há problemas, mas não é verdade, é na periferia que estão a ser ignoradas as políticas sociais", explica..Para António Sousa Pereira "este é o desafio que temos de enfrentar nos anos seguintes: levar o Ensino Superior aos territórios do país onde vivam mais alunos, independentemente de esses territórios ficarem no Interior ou no Litoral". "As universidades portuguesas sabem que têm pela frente este desafio de se aproximarem dos territórios onde a falta da sua presença é mais penalizadora para o futuro dos jovens", conclui..O estudo da EDULOG - Fundação Belmiro de Azevedo mostra que Lisboa corresponde a 38,9% e o Porto a 15,7% dos alunos inscritos no ES, ou seja, concentram 54,6% do total dos alunos universitários públicos. O resto do país, com 45,4%, representa menos de metade dos estudantes..No ensino privado, o documento identifica um muito maior desequilíbrio na distribuição dos alunos. No universitário, Lisboa corresponde a 54,7% e o Porto a 36,0% do total de alunos (90,7% nas duas áreas metropolitanas somadas) e, com apenas 9,3%, para o resto do país.."O ensino politécnico é também desequilibrado na sua distribuição, embora não tanto como o universitário. Neste caso, Lisboa representa 45,7% e o Porto 26,2% (total 71,9%, mais de 2/3), deixando apenas 28,1% para o resto do país. Quando se considera o Ensino Superior privado na sua totalidade, Lisboa representa 52,0% e o Porto 33,2% (total 85,2%), com apenas 14,8% no resto do país", pode ler-se no documento..Estes desequilíbrios aumentam quando se incluem os ciclos de estudos de mestrado e doutoramento, que também se concentram em Lisboa e no Porto..dnot@dn.pt