Pedro Santana Lopes, o homem que já ressuscitou várias vezes para a política

Diz de si que é capaz de fazer obra e que gosta é de falar de património. Agora quer voltar a liderar o PSD que já foi seu
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Em julho de 2003, estava o PSD no governo coligado com o PP, e no Coliseu dos Recreios onde a noite já ia longa e a sala muito vazia, o nome anunciado pelo presidente da mesa do congresso laranja chamou quem estava no bar e nos corredores: Pedro Santana Lopes. O Coliseu transfigurou-se, cheio, silencioso, embevecido. O então presidente da Câmara de Lisboa (desde 2001, eleito na mesma noite que Rio arrebatou o Porto) proclamava-se "um homem de fé" e abençoava o partido no poder. "Assim Deus nos ajude."

No passado dia 5, Santana Lopes, 61 anos, sublinhou no seu facebook que desde esse dia passava a ser o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) "com mais tempo no exercício deste cargo, desde o 25 de Abril". E dava "graças a Deus" e agradecia "a proteção de Sua Mãe Santíssima e as intercessões de São Roque".

Bebendo nesta religiosidade popular, Pedro Santana Lopes já foi presidente das câmaras da Figueira da Foz e de Lisboa, foi secretário de Estado da Cultura, presidiu ao seu Sporting e chegou a primeiro-ministro quando Durão Barroso saiu para ir para a Comissão Europeia.

Estávamos em 2004 e para a história ficou um governo de sucessivas trapalhadas, que acabou despedido pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, quando o ministro adjunto do seu executivo o acusou de falta "de lealdade e de verdade". "Fartei-me do Santana como primeiro-ministro, estava a deixar o país à deriva, mas não foi uma decisão ad hominem", confessou Sampaio este ano.

Santana, que tinha sido primeiro-ministro sem ir a votos, liderou em 2005 o PSD para um dos seus piores resultados (28,77%), perante o PS de José Sócrates. Ainda ensaiou um regresso a Lisboa, nesse ano, mas o partido não o quis; em 2009, perdeu para António Costa. Agora não teme perder, como confessava ao Expresso em dezembro de 2016 - e a pergunta era sobre uma possível derrota em Lisboa, que poderia ser o fim das suas aspirações políticas, "quaisquer que elas fossem". "Eu também não sei quais são! [risos] Uma terceira derrota era seguramente pesado. Mas uma coisa lhe garanto, se há coisa que não me impressiona depois do que já passei é a ideia de que se você perder uma eleição está arrumado de vez. A vida já me ensinou aquilo que dizia o Churchill: na política pode-se morrer muitas vezes."

O exemplo do político britânico - primeiro-ministro em dois momentos distintos e com derrotas pelo meio - cai que nem uma luva ao homem que parecia acomodado ao lugar de provedor da Santa Casa, a deixar obra feita. Na referida entrevista, mostrava as obras em andamento e projeto da SCML e exclamava: "Se alguém me quer ver bem disposto, é falar-me de património." E logo a seguir: "As pessoas sabem que sou capaz de fazer obra."

Pedro Miguel de Santana Lopes nasceu em Lisboa, a 29 de junho de 1956. Frequentou o liceu Padre António Vieira e é licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Aderiu ao PSD em 1976. Melhor: ao PPD/PSD, como ainda hoje fala do seu partido. E Sá Carneiro é a sua referência. Porventura mais invocado que Deus.

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