Pedro Carvalho: "A minha carreira é fruto de muito suor"

Longe do ecrã desde a exibição de "Remédio Santo" e sem regresso previsto à antena da TVI, Pedro Carvalho nega estar "esquecido" em Queluz de Baixo. Aos 28 anos, diz vencer na TV porque arrisca nos papéis e é um lutador. Na alma, o ex-moranguito traz um sonho: envelhecer como ator.
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Fez no último domingo uma participação especial no reality showBigBrother VIP, TVI, mas está afastado da TV desde a novela Remédio Santo. Já são muitas as saudades de voltar a trabalhar?

Sim. Já estou com muitas saudades.

Quando será o seu regresso à antena?

Tenho contrato de exclusividade com a produtora Plural Entertainment, posso ser chamado a qualquer momento. Mas não faço ideia do projeto que irei integrar. Espero que seja em breve.

Está difícil de voltar a vê-lo na TV... Contracenou com atores, como é o caso das atrizes Sara Barradas e Rita Pereira, entre outros, que já foram integrados em novas novelas da TVI...

Não sei, está a ser difícil. O Ângelo foi uma personagem que marcou muito o público, era a altura certa para parar. Tenho ótima relação com a TVI, sei que não me querem perder. E, acima de tudo, respeito a decisão de não estar no ecrã.

Não há, portanto, nenhuma razão particular para a TVI ainda não o ter integrado em nenhuma novela?

Não, não há. Falou-se que eu ia participar na novela Destinos Cruzados e no Mundo ao Contrário... Especula-se sempre muito e isso é bom porque significa que a imprensa e o público querem ver-me de volta e em personagens de relevo.

Não se sente triste com a TVI?

Claro que não. Sei o valor que tenho para a TVI. Eu mantenho um contrato de exclusividade. Eles querem que continue a pertencer à família TVI. Não me sinto triste, é uma opção, uma questão de gestão da parte da TVI. Às vezes um ator tem de parar um certo tempo.

Faz sentido um ator que tem um contrato de exclusividade estar parado há já um ano?

Essa pergunta terá de a fazer à TVI. O que posso dizer é que sou um workaholic e já tenho muitas saudades de trabalhar em televisão, eu gosto de trabalhar muito. Sei que não estou esquecido.

Teme a não renovação do seu contrato? A TVI está, tal como os canais RTP e SIC, a reduzir o número de estrelas exclusivas...

Não, não temo. Ainda tenho muito para aprender como ator e quero-o, mas também sei que já dei provas do meu talento e do meu profissionalismo. Um contrato é uma segurança, mas a profissão de ator é instável e eu já sabia isso desde o início.

Concorda com esta política que Queluz de Baixo está a praticar?

Eu sou um mero ator que trabalha para a TVI... Nem questiono essas políticas. Amo esta arte e preciso dela como ser humano, tal como preciso de pão para sobreviver.

Se a TVI não lhe renovar o contrato de exclusividade, vai seguir os passos de Marco Delgado, Maria João Luís e outros atores que preferiram mudar-se para a SIC?

Nós somos atores e temos de trabalhar, é isto que nos paga as contas. Estou na TVI desde sempre e somos uma família...

Isso quer dizer que se tiver de escolher entre um novo contrato de trabalho e vestir a camisola de Queluz de Baixo vai preferir a "família TVI"?

Está a ser mazinha... Não faço ideia. Sou ator. Gosto de trabalhar e da estação onde estou. O futuro a Deus pertence.

Já foi sondado pela SIC?

Não vou responder, nem posso responder. Obviamente que um ator quando é exclusivo também pode ser seduzido pela concorrência...

A indústria do audiovisual está a ser afetada pela crise económica do país. Atualmente, os atores em Portugal têm e devem sorrir a todos os canais?

Isto não é uma luta de canais. Nós, atores, precisamos de trabalhar.

Mas há menos trabalho em séries e novelas, alegam vários colegas seus...

A crise obriga qualquer pessoa a fazer-se à vida. A nossa profissão é muito dura, não é de facilitismos.

Tem encontrado muitos obstáculos?

Lutei muito para chegar aqui. Muito mesmo. Eu estudei no Fundão, vim para Lisboa... Fiz dois cursos ao mesmo tempo, estudava Arquitetura durante o dia e à noite estudava na ACT - Escola de Atores. Sempre trabalhei muito e, quando me entregam uma personagem, arrisco sempre muito. Tento ir mais além... Mas, sim, nunca tive a vida facilitada, tenho de lutar muito pelas minhas coisas. Às vezes gostava de ter um bocadinho mais de sorte [risos]! O meu pai e a minha mãe sempre me disseram: "Podemos não ser as pessoas mais sortudas do mundo, mas mais tarde ou mais cedo, acredita, o trabalho, a perseverança e o talento dão frutos."

Concorda com os seus pais?

Tenho subido degrau a degrau, muito devagarinho. Prefiro construir uma carreira sólida aos poucos... A minha carreira é fruto de muito suor, sempre foi muito batalhada.

Estreou-se em televisão na série Diário de Sofia, exibida em 2006 na RTP1. Ganhou popularidade na novela juvenil MorangoscomAçúcar, TVI. Seguiram-se papéis nas novelas A Outra, Mar de Paixão, entre outros. Que balanço faz quando revê os seus sete anos de carreira?

Eu cresci na TVI. Sinto que a TVI tem depositado muita confiança em mim, tem-me dado a oportunidade de desenvolver personagens de grande composição. Os meus colegas até brincam comigo e dizem que eu sou um felizardo porque, apesar da minha idade, já fiz papel de vilão, bonzinho e cómico. Um ator tem de ser camaleónico.

Que crítica faz às novelas da TVI?

O canal sempre foi líder e sempre teve estratégias e, agora, também terá uma.

Mas deixou de ser líder...

Ninguém gosta de perder dinheiro, muito menos a TVI, que sempre foi líder. Não tenho crítica negativa a fazer. Eu sei que as pessoas continuam a identificar-se com o produto TVI, tenho esse feedback quando falo com pessoas no teatro e na rua. Nós, portugueses, somos muito bons a fazer ficção e temos pouco dinheiro. Imaginem o que seria se tivéssemos muito...

E que crítica faz ao remake da SIC Dancin" Days, que tem liderado as audiências?

Não acho que haja ali algo absolutamente inovador. Não acho que as novelas da TVI estejam atrás das da SIC em termos de qualidade. Acho que, se calhar, tem de se repensar horários e apostar em atores de verdade e não em manequins.

Na nossa TV existem muitas caras bonitas e poucos atores?

Acho que existe muito a moda de se querer ser ator por razões erradas. Entristece-me ver como esta profissão é tão desrespeitada, qualquer um a faz e qualquer um diz que é ator. Eu tenho sete anos de carreira com formação em Portugal, Nova Iorque e Espanha e não me considero ator.

O que sonha ainda fazer em televisão?

Gostava de explorar mais comédia.

Quem é o Pedro Carvalho para lá da "máscara" de ator?

Sou muito intenso, amo ou odeio. Na minha vida pessoal e privada, sou muito desorganizado, trapalhão e esquecido [risos]. Mas, curiosamente, na minha vida profissional sou o oposto. Sou incapaz de ser irresponsável ou pouco profissional. Quem me conhece brinca e diz que não me corre sangue nas veias mas, sim, paixão [risos]!

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