Partir antes de morrer

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Ninguém duvida que Margarida Marante partiu cedo de mais. Porque, em boa verdade, ela não partiu sexta-feira aos 53 anos. Infelizmente, ela partiu em 2001, quando, por coerência, partiu atrás de Emídio Rangel, então seu marido, no infeliz epílogo de um verão quente que marcaria a SIC para sempre.

Margarida Marante foi, como quase todos nós, vítima das suas próprias escolhas. No caso dela, ainda viveu tempo suficiente para perceber que, tendo sido as escolhas que lhe pareceram adequadas no tempo em que as fez, foram as escolhas erradas. Na última grande entrevista que deu, ao Expresso há dois anos e meio, a jornalista passou-as em revista. Contou que tentou reaproximar-se de Balsemão, assumidamente uma das pessoas mais importantes da sua vida profissional, mas sem sucesso. Revelou que fez as pazes com Nuno Santos, a quem chamou "jovem turco" e traidor, nas divergências que o opuseram a Rangel nesse conturbado processo em Carnaxide. Assumiu o erro que foi aproximar-se da pessoa errada quando se separou de Rangel, tendo depois sofrido com isso física e psicologicamente. Admitiu o excesso de ter aberto as portas da sua vida privada, com tudo o que isso significou. O resto da história já todos a sabemos. As fotos e as imagens que vimos de Margarida Marante nos últimos anos eram chocantes. Muito mais chocantes do que a notícia da sua morte. Porque nos colocaram perante a evidência das fragilidades da condição humana, porque nos deram dela a imagem diametralmente oposta daquela que vimos durante tantos anos. É dessa força dos anos 80 e 90 que guardo memória. É da mulher exteriormente forte com quem conversei longamente duas vezes que me quero recordar. A sua seriedade, competência e frontalidade, que me ajudaram a perceber que queria ser jornalista, não morreram, felizmente, com ela.

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