Quando o Mónaco de Leonardo Jardim entrou ontem em campo, no jogo que acabaria por ditar a sua maior conquista desportiva até ao presente, o restaurante dos seus pais, António Jardim e Maria Mónica Nunes, estava fechado..Não porque tivessem decidido acompanhar o encontro com maior tranquilidade. Bem pelo contrário... Maria Nunes teve de se deslocar ao Funchal por motivos médicos, "nada de grave, consequências da nossa idade", referiu ao Diário de Notícias Madeira António Jardim, que por sua vez se viu confrontado com afazeres inadiáveis nas suas fazendas. "E, como nenhum dos dois pode estar no restaurante, vamos ter de fechar", explicou, horas antes da conquista anunciada..Notoriamente orgulhoso do filho - "quem não ficaria se estivesse no meu lugar?" -, António confessa, porém, que nunca se interessou muito pelo futebol. "Bola sempre foi mais uma coisa do Leonardo, eu nunca gostei muito e não sou de ver os jogos. Vejo alguns... mas poucos, sejam jogos dele ou outros quaisquer.".O desinteresse futebolístico ajuda a fundamentar o facto de o pai, um dia, ter dito ao filho que tinha escolhido a profissão errada...: "Sabe, um dia, não há muito tempo, disse-lhe que tinha optado por uma profissão desgraçada, sem descanso e sempre com problemas e stress. E ele disse-me que havia milhares de pessoas que queriam estar no lugar onde ele se encontra. E é verdade. Olhe, essa conversa ficou por ali e nunca mais lhe disse nada", contou.Agora, depois de um ano sublime do ponto de vista desportivo, o objetivo de Leonardo passará por recuperar energias, garante o progenitor. "Ainda ontem falei com ele e disse-me que está bastante cansado. Foi uma época muito longa, muitos jogos", referiu..E quanto ao futuro, apesar de tudo o que se ouve e lê sobre o interesse de vários clubes, António acha que o filho Leonardo pode até optar por continuar no Mónaco, onde tem a tranquilidade e segurança que tanto preza. "Fala-se muito, sempre foi assim. Sei que ele gosta muito da segurança e de saber que pode trabalhar à vontade, que a família está sempre bem e não sei se vai abdicar disso, mesmo que apareçam outras propostas que paguem mais", argumentou. "A segurança é muito importante e no Mónaco há imensa", reforçou..Edmar Fernandes é jornalista do Diário de Notícias da Madeira