Os sacrifícios em nome do amor na peça de Olga Roriz

A nova coreografia de Olga Roriz, "Orfeu e Eurídice", que se estreia na quinta-feira, em Lisboa, inspirada na tragédia do mito grego, coloca em palco os sacrifícios que se fazem por amor, disse a artista à agência Lusa.
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Encomendada pela Companhia Nacional de Bailado (CNB), a nova peça vai estrear-se com música ao vivo, no Teatro Camões, com coreografia de Olga Roriz, música de Christoph Willibald Gluck, e cenários e figurinos de Nuno Carinhas.

A CNB fez esta encomenda a Olga Roriz no quadro dos trezentos anos do nascimento de Christoph Willibald Gluck, que assinou aquela partitura, considerada uma das mais magistrais do compositor alemão, marco na chamada reforma da ópera séria, que veio pôr em causa os excessos do drama, fundados em particular sobre o modelo napolitano tardio.

Contactada pela Lusa, Olga Roriz disse que este espetáculo - que narra uma história de amor trágico - aponta para este sentimento numa forma universal.

"Todos os dias há homens e mulheres que fazem sacrifícios pelo seu amor. Fazem coisas que nunca imaginaram que fariam", comentou.

De acordo com o mito grego, a história de amor entre Orfeu, guerreiro com talento musical, e a ninfa Eurídice, acaba tragicamente com a morte da amada, mordida por uma serpente.

Com a sua música e o seu lamento, Orfeu conseguiu convencer os deuses a entrar no reino dos mortos - o Hades, na mitologia - para a resgatar, sem sucesso, e também ele acaba por morrer.

"Esta peça é um longo lamento de Orfeu, que tenta tudo para salvar o seu amor, mas não consegue", apontou a coreógrafa que já criou várias peças de dança sobre narrativas trágicas, como "As Troianas", "Isolda" e também "Pedro e Inês".

Olga Roriz assume que esta é a sua linguagem preferida: "Gosto de contar histórias passo a passo. Na ópera, a história nem é tão trágica, mas eu fiz outras leituras e acabei por optar pelo sacrífico total, da punição".

E, desta vez, acrescentou, "com a CNB houve uma cumplicidade muito grande, uma compreensão e grande apreensão daquilo que queria fazer".

O trabalho foi acompanhado - indicou - lado a lado com Paulo Reis, que procedeu a uma "abordagem constante com os bailarinos", ao todo um elenco com mais de trinta pessoas.

A ópera estreou-se em Viena, em 1762, durante as festividades em honra do imperador Frederico I e, numa segunda versão, em 1774, em Paris, a convite da rainha Maria Antonieta.

Foi na altura considerada uma obra revolucionária e de fronteira com grandes repercussões no meio musical europeu, tendo Gluck e Ranieri de'Calzabigi, autor do libreto, alcançado fama imediata pela controvérsia gerada em torno das inovações introduzidas nos cânones operáticos da época.

Os espetáculos vão ter acompanhamento musical ao vivo pelos agrupamentos Divino Sospiro, Ecce Ensemble e pelo Coro da Escola Superior de Música de Lisboa, sob a direção do maestro Massimo Mazzeo, com o regente Paulo Vassalo Lourenço a dirigir o coro.

Em fevereiro, "Orfeu e Eurídice" será apresentado pela CNB, na quinta-feira e na sexta-feira, às 21:00, e para escolas a 05 de março, às 15:00.

Ainda em março, os espetáculos, às 21:00, estão marcados para os dias 01, 06, 07, 08, 13, 14, 15, e, nas tardes de domingo, às 16:00 dos dias, 02, 09, e 16.

O ensaio geral solidário desta peça está marcado para quarta-feira, às 21:00, a favor da associação SOS Voz Amiga, a Associação ILGA - Portugal -- Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero e a Umar -- União de Mulheres Alternativa e Resposta.

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