Os livros de Manuel Valente
A entrevista decorreu entre livros - todos os que publicou na Porto Editora, os que diariamente lhe chegam do estrangeiro e os originais, que aguardam sentença na secretária - e fotografias. Duas horas de conversa, entre cigarros e temas que lhe são caros: o risco, o atrevimento, a paciência, a poesia, o futebol, as viagens, as mulheres, «desde sempre o mais importante». Manuel Alberto Valente, «adolescente adiado», nasceu em Coimbrões, Vila Nova de Gaia, em 1945. Vive em Lisboa desde os 20 anos, no mundo da edição, há mais de três décadas.
Que papel tem um editor hoje?
O mesmo de sempre: servir de filtro entre o que se escreve e o que merece ser publicado. Sabemos, é claro, que nos últimos anos a situação mudou bastante. Um teórico destas coisas disse até que se estava a caminhar para uma edição sem editores. E há, de facto, hoje, a chamada autoedição - em suporte digital, cada um pode publicar o que quiser. O que provoca, claro, o aparecimento de lixo, muito lixo. Falta à autoedição o olhar crítico do editor. Que é também quem, muitas vezes, ajuda o autor a cinzelar o próprio trabalho.
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