Aliados na nupes - que, apesar de ser a sigla de Nova União Popular Ecológica e Social, se escreve assim mesmo, em caixa baixa -, os paridos de esquerda em França estão a ganhar terreno em relação aos aliados do presidente centrista, Emmanuel Macron. É pelo menos o que mostram as últimas sondagens, a sete dias da primeira volta das legislativas, aumentando os receios de que possa vir a perder a maioria absoluta que tem..O último estudo do Ifop-Fiducial mostra que a Ensemble, coligação que junta o Renascimento (novo nome do La République en Marche!) e outros partidos centristas, conseguiria entre 275 e 310 lugares nas legislativas, com o valor a ficar aquém dos 289 lugares que garantem a maioria absoluta..Liderada por Jean-Luc Mélenchon, terceiro classificado nas presidenciais de abril, a nupes é uma espécie de "geringonça" pré-eleitoral que junta a sua França Insubmissa aos ecologistas do EELV, aos comunistas e aos socialistas. Esta aliança de esquerda conseguiria, segundo o mesmo estudo, entre 170 e 205 lugares. "Estamos a levar isto a sério porque tanto nos media como nas sondagens a única pessoa que existe, para além da maioria presidencial, é Jean-Luc Mélenchon", explicou no canal France 2 a deputada do Renascimento Aurore Bergé. Para ela, a nupes é a única "alternativa forte e credível"..Mas se os eleitores não derem a maioria ao presidente, depois da sua reeleição a 24 de abril, isso representaria "uma grande desestabilização da política francesa, que se prolongaria pelos próximos anos", lamentou à AFP o ministro dos Assuntos Parlamentares, Olivier Veran..Desde 1997-2002 que França não tem um presidente e uma maioria parlamentar de cores diferentes. Na altura, o presidente Jacques Chirac, de direita, teve de coabitar com o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin..Uma mudança na Constituição em 2000 foi pensada para pôr fim a este género de bloqueio, ao passar o mandato presidencial de sete para cinco anos - o que fez com que as eleições presidenciais se realizassem no mesmo ano que as legislativas que se lhes seguem..Desta vez as legislativas realizam-se nos próximos dias 12 - a primeira volta - e 19 - a segunda. Só então ficará clara qual vai ser a composição do Parlamento..Uma outra sondagem BVA mostra que apenas 35% dos eleitores querem que Macron obtenha uma maioria, revelando as divisões profundas entre os franceses..Em abril, Macron derrotou Marine Le Pen, líder da União Nacional (ex-Frente Nacional, de extrema-direita), obtendo um novo mandato de cinco anos. Caso não obtenha maioria nas legislativas, o presidente deverá conseguir continuar a sua política externa sem grandes alterações, mas a nível interno poderá ser mais difícil avançar com os cortes nos impostos, as reformas da Segurança Social e o aumento da idade da reforma que estavam no seu programa..Mélenchon, um antigo trotskista, tem um programa radicalmente diferente, que defende a redução da idade da reforma para os 60 anos, o aumento dos impostos aos mais ricos e a subida do salário mínimo em 15%..Uma média das sondagens, calculada pelo Politico, ainda dá a maioria a Macron se as eleições fossem hoje. E os peritos recordam que as sondagens muitas vezes falham. Apesar de os estudos de opinião ainda não o darem como vencedor, na quarta-feira Mélenchon aproveitou uma ação de campanha para saudar a subida da esquerda - que nas presidenciais não se conseguiu unir em torno de um candidato único. "Juntámo-nos para dizer ao país que somos uma alternativa caso achem que as coisas não podem continuar como estão agora", afirmou em Paris..As mesmas sondagens dão ao partido de Le Pen entre 25 e 49 lugares, enquanto Os Republicanos (direita tradicional) obteriam entre 39 e 62.