Orbán sai da sala e UE dá o OK para começar a negociar adesão de Kiev

Zelensky descreveu dia como histórico para quem "luta pela liberdade". Michel diz que mostra apoio europeu a ucranianos.
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Os líderes da União Europeia acordaram esta quinta-feira dar início às negociações de adesão ao bloco com a Ucrânia, um objetivo alcançado apesar da ameaça, renovada antes do início da cimeira, do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, de vetar este plano. Para o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, esta decisão "é um sinal político muito forte", que, acredita, "mostra às pessoas da Ucrânia que estamos do lado delas".

Sabendo que a decisão de iniciar as negociações para a adesão da Ucrânia teria de ser tomada por unanimidade, após horas de discussões e com Orbán a manter a sua intenção de veto, a solução para resolver este impasse acabou por vir do chanceler alemão. Segundo o Politico, Olaf Scholz disse ao primeiro-ministro húngaro, na frente dos outros líderes, que se ele realmente não estava disposto a concordar poderia sair da sala para que os restantes líderes pudessem, na sua ausência, tomar uma decisão unânime sobre o alargamento.

Fontes europeias referiram que esta proposta já tinha sido acordada em discussões anteriores e que Orbán acabou por decidir estar "momentaneamente ausente da sala de forma pré-acordada e construtiva".

Numa mensagem de vídeo publicada no Facebook, ao final do dia, o primeiro-ministro húngaro considerou uma "má decisão" a abertura de negociações formais de adesão da Ucrânia à UE, nas quais, disse, a Hungria "não quer participar".

Para Orbán, "esta decisão de começar negociações não tem qualquer sentido, é irracional e incorreta, com a Ucrânia nestas condições". E, apesar de vincar que "a Hungria não irá alterar a sua posição", salientou que "os outros 26 Estados-membros insistiram que esta decisão teria de ser tomada", razão pela qual Budapeste decidiu que estes países "deviam seguir o seu próprio caminho", sem a participação húngara.
O presidente da Ucrânia felicitou a decisão do Conselho Europeu e descreveu o dia como histórico para todos os que "lutam pela liberdade", agradecendo também "aos que trabalharam para que isto acontecesse e a todos os que ajudaram". "Hoje felicito cada ucraniano", escreveu Volodymyr Zelensky, na rede social X, instantes depois de Charles Michel anunciar a decisão.

Neste primeiro dia de Conselho Europeu, ficou também decidida a abertura das negociações formais de adesão à UE com a Moldávia, bem como conceder o estatuto de candidato à Geórgia. Charles Michel anunciou ainda que "a UE abrirá negociações com a Bósnia-Herzegovina assim que for atingido o grau necessário de cumprimento dos critérios de adesão e convidou a Comissão a apresentar um relatório até março com vista à tomada dessa decisão".

Hoje, os 27 terão pela frente um outro "tópico difícil", segundo o presidente do Conselho Europeu. "Ainda estamos a trabalhar no que toca ao Quadro Financeiro Plurianual e este será um tópico difícil, [mas] estou confiante de que, nas próximas horas, conseguiremos tomar uma decisão e ter unidade nessa decisão", comparou, aludindo ao outro grande tema em cima da mesa nesta cimeira europeia, a revisão do orçamento a longo prazo da UE, com uma reserva financeira de 50 mil milhões de euros para a Ucrânia.

ana.meireles@dn.pt

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