Operação de segurança ainda não terminou

Tomada de reféns durou todo o dia e comandos controlaram hotéis, um andar de cada vez.
Publicado a
Atualizado a

Um grupo entre 10 e 12 homens armados mantinha ontem reféns no Hotel Oberoi-Trident e prosseguiam as operações militares para tentar recuperar o controlo de todos os locais atacados na quarta-feira em Bombaim . Desconhecia-se o número de reféns ainda na posse dos terroristas que, segundo as autoridades indianas, vieram do Paquistão.


Os militantes, num total de 25, dispararam armas automáticas e lançaram granadas em diversos locais emblemáticos do centro da cidade, nomeadamente dois hotéis de luxo, a principal gare ferroviária e um hospital para mulheres e crianças.


Às 22.00 de ontem (hora de Lisboa), o balanço provisório de vítimas mortais era de 125, na sua maioria civis indianos. Nessa altura, mais de 30 horas após o início dos ataques, tinham sido libertados sete reféns num complexo habitacional junto ao Hotel Oberoi. Ali existe um centro judaico, chamado Chabad House, onde se acredita que um rabi e a sua família estavam sob domínio dos terroristas.


Muitos clientes do Oberoi (os proprietários falam em 200) ficaram retidos e barricaram-se nos seus quartos, enquanto esperavam ajuda, apesar de tudo em relativa segurança. Ao fim da noite, 39 destas pessoas foram socorridas pelos comandos de elite que prosseguiam a operação de resgate. Por outro lado, no hotel Taj Mahal Palace já tinha sido restaurada a segurança, apesar da resistência de um militante, que estava ferido. Neste hotel foi detido um suspeito paquistanês, dando força à tese policial da origem estrangeira dos militantes.


Os ataques começaram na quarta-feira, eram 17.00 em Lisboa. Os terroristas surgiram de repente, a disparar de forma indiscriminada rajadas de armas automáticas. Os testemunhos sobre o dia de terror davam conta de pânico e confusão, com a polícia indiana, num primeiro tempo, a ser incapaz de controlar a acção dos militantes. Pelo menos 11 agentes morreram nestas operações. Durante todo o dia continuaram a ouvir-se tiroteios e explosões esporádicas, no intervalo daquilo que pareciam ser negociações pela libertação dos reféns. Os terroristas exigiam a troca por radicais islâmicos presos na Índia e a sua acção foi reivindicada por um grupo islâmico desconhecido, os Mujahedeen do Decão. Houve incêndios nos dois hotéis que serviram de alvo.


A Bolsa de Bombaim foi encerrada e centenas de voos de companhias comerciais para a Índia estão cancelados. Estes ataques receberam uma condenação quase unânime e muitos analistas culpam a rede da Al-Qaeda e falam "no 11 de Setembro da Índia", pela crueldade do ataque e o valor simbólico dos alvos escolhidos.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt