Oeiras. Tonéis de vinho do Marquês de Pombal dão origem a seis guitarras

Câmara de Oeiras juntou-se ao projeto e restaurou um tonel para fazer uma edição especial do vinho Villa Oeiras. Projeto deu origem a um documentário que é apresentado este domingo.
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Vai ser conhecido este domingo o "Guitarras do Marquês", um projeto criado pelo luthier Adriano Sérgio, com o apoio do Município de Oeiras, e que consiste na construção de seis guitarras de autor feitas a partir de tonéis de vinho Villa Oeiras, que terão pertencido ao Marquês de Pombal, no século XVIII. A par da apresentação das guitarras, será exibido um documentário que mostra toda a história.

A ideia foi apresentada em setembro de 2018 na Adega do Palácio do Marquês de Pombal, em Oeiras, por Adriano Sérgio, já depois de firmada a parceria com a autarquia liderada por Isaltino Morais, e serviu para dar também a conhecer os cinco luthiers convidados: Ulrich Teuffel, Michael Spalt, Claudia & Claudio Pagelli e Nik Huber.

"Quando a Câmara Municipal de Oeiras teve conhecimento que um luthier português tinha convidado cinco amigos luthiers internacionais para adquirirem oito tonéis de madeiras exóticas utilizadas em tonéis do século XVIII para a construção de guitarras e que, presumivelmente, vieram da adega do Palácio do Marquês de Pombal, de imediato desafiou o grupo a desenvolver o projeto em conjunto", explica ao DN fonte da Câmara de Oeiras, adiantando ter chegado "a acordo para a cedência de parte desta madeira para permitir o restauro integral de, pelo menos, um tonel original da adega".

Desta forma, ao mesmo tempo que cada um dos seis luthiers construía as suas guitarras, a Câmara de Oeiras dava início um processo de estágio na madeira de mogno para produzir um vinho único e uma edição especial de Villa Oeiras.

O eleito foi um vinho da colheita de 2010, feito através de fermentação pelicular, tendo estagiado sete anos em carvalho português e quatro anos na pipa de 1000 litros de madeira de mogno da América do Sul e que terá pertencido à adega do Marquês de Pombal em Oeiras.

"O trabalho de recuperação das madeiras e construção do tonel e da pipa passou por todos os processos necessários, como se de uma madeira 'nova' se tratasse. Desta forma, pode-se considerar que foram construídos equipamentos novos com materiais antigos, facto que permitiu estudar o efeito do mogno 'novo' no estágio de vinhos fortificados como o vinho de Carcavelos, Villa Oeiras. O resultado é um vinho que assumiu a exclusividade deste tipo de madeira, tornando-o distinto dos demais até então produzidos", explica a mesma fonte da autarquia.

A Câmara de Oeiras produziu duas mil garrafas de meio litro, que terão a particularidade de estarem numa caixa de madeira onde se encontra uma peça do mogno do mesmo lote da madeira onde o vinho estagiou, com a identificação dos luthiers e com uma superfície que conserva ainda os restos dos cristais de vinho do interior dos tonéis.

O resultados desta experiência deu origem a um documentário da autoria de Helder Faria e intitulado "The Guitar Barrel Project", que será exibido ao público pela primeira vez este domingo às 21.00 no âmbito do Há Prova!, um evento gastronómico que decorre este fim de semana nos Jardins do Palácio Marquês de Pombal. Horas antes, a partir das 16.30, na adega do palácio, haverá uma conversa com Adriano Sérgio e os seus luthiers convidados.

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