Ocean Race Europe. Mais emocionante do que a Fórmula 1
Foi, como se costuma dizer, impróprio para cardíacos, o final, esta quarta-feira, em Cascais, da primeira etapa da regata oceânica Ocean Race Europe.
Os 12 barcos da frota, que na terça-feira haviam partido de Lorient, em França, chegaram separados entre si por diferenças de tempo incrivelmente pequenas. Diferenças, na verdade, mais pequenas do que em muitas corridas da Fórmula 1.
Estão em prova 12 barcos, divididos em duas categorias: sete da classe VO65 (os da antiga Volvo Ocean Race, agora apenas Ocean Race, dado que a marca sueca de automóveis abandonou o projeto); e cinco da classe IMOCA 60, veleiros construídos para serem monotripulados e fazerem a Vendée Globe (regata solitária de volta ao mundo sem paragens nem assistência).
Na classe VO65, a etapa foi vencida por uma das equipas mais inexperientes e mais jovens da frota, a Austrian Ocean Race Projet. O skipper é o austríaco Gerwin Jansen - o único na tripulação com experiência de regatas oceânicas. A equipa integrou um português, André Carmo, o onboard reporter de serviço (e que por isso está proibido de ter tarefas náuticas).
Os austríacos venceram mas apenas pela incrível margem de seis segundos face à equipa seguinte, Ambersail 2, outros dos underdogs da frota, tão ou mais inexperientes em vela oceânica do que os austríacos. O team é quase toda da Lituânia. E aqui, mais uma vez, o skipper, Rokas Milevičius, é quem pode invocar alguma experiência de navegação offshore. Ele e o navegador, o neozelandês Conrad Colman, que já tem no currículo uma Vendée Globe.
Seis segundos separaram o primeiro lugar do segundo, no final da etapa. E ainda menos - cinco segundos apenas - separaram o segundo do terceiro, o Team Childhood 1, este sim capitaneado por um veterano das voltas ao mundo à vela, o holandês Simeon Tienpont. E 58 segundos depois do Team Childhood, chegou o quarto classificado, Sailing Poland, equipa comandada pelo mais veterano dos velejadores internacionais de regatas de circumnavegação, o holandês Bouwe Bekking (já fez oito voltas ao mundo e nunca ganhou).
Resumindo: entre a chegada a Cascais do 1.º da classe VO65 e do 7.º (e último) passaram apenas escassos seis minutos - e isto depois de centenas de milhas e três dias no mar. E o último nesta classe acabou por ser o barco de bandeira portuguesa da Fundação Mirpuri, o Racing for the Planet. A frota chegou tão junta que, ao largo de Cascais, dois barcos chegaram a chocar (ninguém se aleijou).
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Capitaneada pelo francês Yoann Richomme, e com três velejadores portugueses a bordo - Bernardo Freitas, Mariana Lobato e Frederico de Melo -, a equipa da Fundação Mirpuri é, de longe, a que tem mais treino acumulado. Além disso, o barco dispõe de uma vantagem competitiva assinalável face aos da concorrência: velas novas.
Contudo, um dramático erro de navegação na aproximação a Cascais levou a equipa a abordar por norte a zona de exclusão virtualmente construída pela organização em frente à costa portuguesa, enquanto o resto da frota foi por sul. Desapareceu assim todo o domínio demonstrado desde a partida de Lorient (chegou a liderar com meia hora de vantagem). Acabaram em último lugar. Já na classe IMOCA 60, a surpresa foi, para já, não terem revelado nenhuma especial vantagem de velocidade sobre os VO65.
A Ocean Race Europe, que a seguir terá a etapa Cascais-Alicante e depois Alicante-Génova, onde terminará, é uma espécie de aperitivo para a Ocean Race de volta ao mundo, que começará no outono de 2022, em Alicante.
Classe VO65
1.º The Austrian Ocean Race Project - 7 pts.
2.º AmberSail 2 - 6 pts
3.º Team Childhood - 5 pts
4.º Sailing Poland - 4 pts
5.º AkzoNobel - 3 pts
6.º Viva México - 2 pts
7.º Mirpuri Racing Team - 1 pts
Classe IMOCA 60
1.º Corum L"Épargne - 5 pts.
2.º 11th Hour Racing - 4
3.º LinkedOut - 3
4.º Offshore Team Germany - 2
5.º Bureau Vallé - 1
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