O Reino Unido deve procurar as suas opções de saída da UE

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Quem quer que seja que vá ganhar a corrida para a liderança do Partido Conservador do Reino Unido vai ter de gerir o brexit ou arriscar o seu próprio futuro político. Há cenários teóricos em que o brexit não acontece. Mas eles são tão prováveis como a explosão da União Europeia num fenómeno de autocombustão espontânea.

Aqueles que ainda se agarram à esperança de um milagre esquecem-se de que os factos da vida real do brexit estão a ser criados à frente dos nossos olhos. Os residentes no Reino Unido originários de países da UE estão a começar a requerer a cidadania. Em setembro, os líderes da UE irão reunir-se sem o Sr. Cameron, primeiro--ministro, para discutir o futuro do bloco. Empresas como a Deutsche Börse, que foram atraídas pela posição de Londres como centro financeiro da Europa, vão começar a fazer planos alternativos.

Nem a UE irá vergar-se para ter o Reino Unido de volta. Os líderes da UE queriam que o país tivesse votado pela permanência. A última coisa de que precisavam era de mais uma crise. Agora que já aconteceu, eles aceitaram o resultado. Ouviram Nigel Farage, o líder do Partido pela Independência do Reino Unido, distribuir insultos no Parlamento Europeu. Leram sobre explosões racistas após a votação. E, assim como todos nós, seguiram a campanha. É difícil dizer o que eles devem ter achado mais chocante, se as mentiras da campanha pela saída ou o fracasso da campanha pela permanência em demonstrar o lado positivo da UE.

Assim, em vez de empreendermos na busca fútil do botão para desfazer o que está feito, o nosso tempo é mais bem gasto se nos concentrarmos no que está para vir. A primeira decisão que o Reino Unido terá de tomar é a de por qual das opções realistas de saída vai optar. Eu só vejo duas.
A opção mais simples, e aquela que eu prefiro, é a adesão ao Espaço Económico Europeu, que é atualmente constituído por um grupo de três países - Noruega, Islândia e Liechtenstein -, que têm livre acesso ao mercado único. Estou ciente dos obstáculos. A contrapartida seria a plena aceitação das quatro liberdades da UE, incluindo a mais importante: a liberdade de circulação dos trabalhadores. O Reino Unido teria também de contribuir para o orçamento da UE. Theresa May, ministra da Administração Interna e favorita na corrida para a liderança dos conservadores, parece ter excluído esta opção. Michael Gove, outro candidato que liderou a campanha pela saída, também não vai aceitar isso.

O EEE ou opção Noruega é totalmente inflexível. Não se pode negociar um pouco menos de acesso ao mercado em troca de um pouco menos de liberdade de movimentos. Se se escolher o EEE, não há, de facto, muito a negociar.

A segunda opção para o Reino Unido seria um acordo de livre comércio bilateral - do género do que a UE está a negociar com o Canadá. Isto não deve ser confundido com o acesso ao mercado único. Sob um acordo bilateral de livre comércio, a City de Londres perderia, inevitavelmente, os direitos de passaporte - a capacidade de oferecer serviços em toda a UE sem ter de se submeter aos supervisores financeiros noutros países. A UE não irá permitir de maneira nenhuma que as empresas baseadas no Reino Unido pós-brexit realizem transações financeiras para a UE. Mesmo a Alemanha não iria aceitar isso. Um acordo bilateral permitiria o livre fluxo de mercadorias e alguns serviços. Mas, claramente, não é a mesma coisa do que fazer parte do mercado único.

A redução para apenas duas categorias de acordos significa que haverá uma troca direta entre os direitos de passaporte, disponíveis no EEE, e o controlo sobre a imigração, possível ao abrigo de um acordo de livre comércio. O Reino Unido poderá ter uma coisa ou a outra, mas não ambas. Nem poderá ter um pouco das duas. Terá de fazer uma escolha política. Talvez seja possível sequenciar as duas. O país poderá optar por um tratado EEE, e, depois, ir para um acordo de livre comércio mais tarde. Isso poderia ser um compromisso, embora possa exigir confiança e falhar por esse motivo.
Depois de decidir a sua posição de negociação, o governo do Reino Unido precisará então de decidir sobre quando acionar o artigo 50°, a chamada cláusula de saída da UE. A coisa mais importante a considerar aqui são as eleições francesas. O brexit já é a questão central na campanha. Marine le Pen, líder da Frente Nacional, fará campanha pelo frexit - uma saída francesa da UE e, por extensão, do euro.

O presidente François Hollande quer fazer o Reino Unido pagar pelo brexit.

Nestas circunstâncias, seria imprudente da parte do Reino Unido acionar o artigo 50° antes de 7 de maio de 2017, o dia da segunda volta das eleições francesas, a menos que obtenha garantias informais de que a UE está disposta a discutir a opção preferida dos britânicos, com um espírito construtivo. Sem essas garantias, Londres iria perder um tempo precioso se acionasse o artigo 50°.
Uma vez acionado começa uma contagem regressiva de dois anos até à saída. Em teoria, o período de negociação poderia ser prolongado, mas seria tolice contar com isso. A renovação exige um voto unânime.

As minhas suposições são as seguintes: o brexit entrará formalmente em vigor no segundo ou no terceiro trimestre de 2019, um ano antes das próximas eleições gerais no Reino Unido; Londres irá escolher uma das duas opções negociadas - ou um acordo EEE ou um acordo comercial bilateral mais flexível; e o país será capaz de prosperar sob qualquer um dos cenários.

O meu conselho para os adeptos da permanência é de que ultrapassem a questão. Já perderam a batalha há muito tempo. A melhor atitude é aceitar o resultado e tentar influenciar as negociações com um espírito construtivo. Quando isto acabar, o Reino Unido e a UE terão de estar em boas relações. Continuarão parceiros na NATO, no Grupo das Sete principais economias e no Grupo dos 20. E ambos vão descobrir que existem problemas maiores no mundo do que a sua relação mútua.

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