O perigo de pedir um cessar-fogo

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Pedir a Israel um cessar-fogo não demonstra apenas uma má compreensão da realidade, mas é extremamente perigoso - para palestinianos, para israelitas e para qualquer possibilidade de um futuro pacífico no Médio Oriente.

Em vez de um cessar-fogo, o mundo devia exigir que os terroristas parassem de aterrorizar o seu próprio povo e todos os outros.

A realidade no terreno em Gaza é sombria. Não desde 7 de Outubro, quando o Hamas violou o cessar-fogo que tinha com Israel e não desde a operação terrestre que visa tirar o Hamas da vida tanto de palestinianos como de israelitas. Não, a realidade em Gaza é sombria há, pelo menos, 18 anos. Desde pouco depois de Israel se ter retirado unilateral e completamente de Gaza, o Hamas conduziu eleições sob a mira de uma arma, foi eleito quase democraticamente e cancelou todas as futuras eleições.

Desde esse momento fatídico, em 2006, em que o mundo aplaudia a democracia recém-criada em Gaza, os membros do Hamas executavam os seus oponentes da Fatah e qualquer um que não concordasse em votar neles, atirando-os dos telhados e arrastando os seus corpos pelas ruas, atrás de motocicletas. O leitor pode pesquisar essas imagens no Google se não tiver medo.

Depois da saída de Israel de Gaza, como europeus, esperávamos ver nascer uma segunda Singapura (60% mais densamente povoada do que Gaza): a construção de habitações com a ajuda israelita e internacional para substituir os campos de refugiados; a construção de uma economia baseada nas estufas e na indústria que Israel deixou para trás e um verdadeiro sistema de bem-estar social de uma sociedade produtiva e progressista. Esta ingenuidade deriva de pensarmos o que faríamos com milhares de milhões em ajuda e quase duas décadas para gastá-los. Mas o Hamas não pensa assim.

O Hamas queimou as fábricas e estufas para usar as ruínas como locais de lançamento de rockets, retirou as canalizações de água e usou-as para construir rockets e utilizou o cimento necessário para erigir escolas e hospitais para construir túneis sob Gaza, de modo que a própria cidade acima, na sua totalidade, é um escudo humano gigante para os combatentes do Hamas.

A frase "dê-me apenas uma geração de jovens e transformarei o mundo inteiro" é atribuída a Lenine.

O Hamas teve duas décadas para moldar a educação dos seus jovens. De um ponto de vista europeu, a educação envolve desenvolver competências para que nos tornemos membros activos e positivos da sociedade.

A educação sob o Hamas é uma história muito diferente.

Nos livros de matemática do 1.º ano, nos livros didáticos do Hamas e da UNRWA, conta-se o número de "Shahid" ("mártires") que morreram durante cada "Intifada" (série de ataques terroristas, principalmente de homens-bomba, que ceifaram a vida de mais de 1.400 israelitas - cerca de 1.000 civis e cerca de 400 soldados). Esta série de ataques foi lançada porque Yasser Arafat não queria parecer fraco, aos olhos do seu próprio povo, ao sugerir nos acordos de Oslo que estava disposto a reconhecer a existência de um Estado Judeu, em prol da paz.

Terceiro ano escolar, estudos sobre a sociedade civil: ensinam que Jerusalém não é sagrada para judeus e cristãos, apenas para muçulmanos.

No quinto ano, para os 11 anos de idade: ensina-se que "os judeus são inimigos do Islão, em todos os tempos e em todos os lugares" (o mesmo livro, no mesmo capítulo, glorifica tanto terroristas como os nazis). No capítulo seguinte: "A lista dos Heróis Palestinianos não inclui cientistas, nem médicos, nem engenheiros". O segundo livro, também do quinto ano, afirma que "morrer é melhor que viver". Sexto ano (12 anos) ensina que "o Estado Palestiniano vai do rio ao mar" (sugerindo a total aniquilação dos judeus da sua terra). O 7.º ano ensina a 2ª lei de Newton - com a ilustração de uma fisga apontada aos soldados das FDI (Forças de Defesa de Israel).

O 8.º ano ensina leitura avançada de textos em árabe - textos sobre atentados suicidas e como os jovens devem conduzir a Jihad (guerra santa).

Os livros didáticos do 9º ano (15 anos) ensinam como o massacre de Hebron, no qual 67 judeus foram torturados e mortos, foi um "ato natural e legítimo de resistência" - embora tenha sido conduzido em 1929 - 20 anos antes da formação de Israel.

O mesmo livro ensina que matar infiéis, judeus e cristãos, leva as crianças ao paraíso.

O 10º ano, aos 16 anos, ensina que "a Jihad é uma obrigação de todo o muçulmano". O 11º ano ensina a teoria racial nazi: os judeus querem controlar o mundo -, fazendo uso da imagética nazi nas ilustrações. Os ensinamentos do 12º ano nos manuais do Hamas afirmam que o ponto mais alto a que se pode aspirar na vida é morrer por um dever religioso.

Estes são apenas alguns de centenas de exemplos extraídos de livros didáticos utilizados nas escolas da UNRWA, em Gaza, de acordo com as instruções do Hamas, escritos por funcionários da UNRWA (cujos salários são pagos, também, pelos contribuintes portugueses).

Gaza tem civis inocentes que não estão envolvidos com o Hamas.

Dizer isto pode irritar os israelitas que viram os vídeos dos residentes de Gaza participando ativamente nos festejos do Hamas que desfilava os cadáveres dos israelitas mortos a 7 de Outubro, cuspindo nos corpos e mutilando-os. Isto também pode irritar alguns apoiantes europeus do Hamas que afirmam que cada uma das pessoas em Gaza é inocente, incluindo os combatentes do Hamas - o que não deixa de ser estranho, dado o facto de a UE (e, portanto, Portugal) identificar o Hamas como organização terrorista e reconhecer, como tal, mais de 50.000 pessoas em Gaza como seus combatentes.

Mas é verdade que há cidadãos não-envolvidos em Gaza e é por isso que esta guerra está a demorar tanto. As FDI podiam ter terminado a guerra em minutos, se todos os residentes de Gaza fossem terroristas. Teria terminado antes do nascer do sol do dia 8 de outubro. Como não é o caso, as Forças de Defesa de Israel estão a despender tempo e esforços para protegerem a população civil em Gaza (e a fazer melhor trabalho do que o Hamas alguma vez fez). A razão é simples: Israel está a usar as suas armas em defesa dos seus cidadãos (como o Iron Dome) enquanto o Hamas usa os seus cidadãos para proteger as suas armas - escondendo mísseis dentro e sob escolas, mesquitas, hospitais e jardins de infância (veja o leitor o que aconteceu a 29.7.2014 e a desculpa da ONU). Ao utilizar o povo de Gaza como escudo humano o Hamas está a cometer um duplo crime de guerra: a atacar a população civil em Israel e a utilizar edifícios públicos civis para travá-la, fazendo perigar as vidas dos civis de Gaza.

Um cessar-fogo, antes do regresso dos reféns e antes da rendição do Hamas conduzirá - mesmo segundo especialistas não-israelitas -, a duas coisas: ao perigo de morte dos 132 reféns atualmente detidos em Gaza, uma vez que mantê-los vivos é um custo financeiro e logístico que o Hamas poderá não ser capaz de suportar por muito tempo. Destes reféns, há dezanove mulheres, duas crianças com menos de 18 anos, dez idosos com mais de 75 anos, onze estrangeiros e 121 israelitas; e à reconstrução da infra-estrutura terrorista com, consequentemente, mais do que vimos acima, ao longo dos últimos 18 anos de domínio do Hamas em Gaza.

Pelo bem dos palestinianos que vivem em Gaza, pelo bem de qualquer esperança de paz no futuro, pelo bem da vida no Médio Oriente - o mundo (e Portugal) não deveria pedir um cessar-fogo, mas a rendição e a destruição do Hamas. Exigem-no os nossos valores ocidentais, os direitos humanos e as nações que cumprem a lei internacional.

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