O passado e o presente

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Esta situação de estar entre o passado e o presente, meditando a relação de herança de consistência, não diz apenas, com frequência e facilidade, respeito a vidas individuais que preferivelmente aconselhou a meditar no ponto final do que se consegue entender, ou apenas imaginar, o que foi o decurso do que foi vida. Quando se trata de organizações, sobretudo políticas, o mínimo de inquietação, ou mais vivamente de cólera, produz a imagem de uma contrariedade que assim exige reposição ou cólera sem recursos de uma história injusta e nunca reparada. Mais de uma entidade política, sobretudo, lastima o que fez ou não.

Este exemplo recorda-se sobre a mensagem atual da França de hoje, assinada por Bertrand Badie e Dominique Vidal, sobre o estado do mundo em 2022, com apoio de analistas fiáveis, a pronunciarem-se sobre se a França é ainda uma potência reconhecida, nas vésperas de 2022. Claro que não é difícil, aos analistas da história ocidental, até para potências deste nosso longo passado, encontrar o registo da queda, sem desabamento da história reconhecida, que a herança evita, pelos acidentes do percurso vivido e da herança recolhida, ignorando facilmente contrariedades que afetam o valor da memória. Mas essa acidentada memória dos sucessores herdeiros não é a que anima a queda do poder, de que felizes não herdaram a memória, dos poderes que outros muito acompanharam com sentimento vivido, recuse a França contrariada. É fácil tornar evidente uma posição, enriquecida, brilhante, e historicamente relevantíssima, da França grande potência entre 1845-1939, incluindo a importância da língua e da cultura, e a dimensão do poder colonial quando se sentiu a proclamar ser a "luz do mundo". Outros, raros, como a história semelhante deste Portugal de território europeu limitado, não terão inferioridade na dimensão não esquecida da ação que lhe pertenceu na ocidentalização do globo, mas é difícil considerar sem relutância os efeitos da grandeza ligeiramente comparável. No que nos toca, sobretudo a diferença de teses entre Napoleão e o Marechal Massena, quando o pequeno povo deste Estado com tão larga história, em comparada grandeza assumida perante outros poderes. Ainda assim não foi sem dignidade que ultrapassou, sobre menor plano, o risco iminente de dimensão inquietante, que a cultura francesa representou entre "Nações".

A lamentação atual é de completo esgotamento do planeamento mundial, porque não há sinal de os seres vivos, sem diferença de etnia, cultura, religião, ou parte do território planetário, ignorarem os pesados sofrimentos, em progresso inquietante, desta guerra da covid-19, que ainda é acompanhada pelas variantes de capacidade militar que acabam com alianças e buscam outras, enquanto se mostra cada um crescentemente atingido pela pandemia, com alterações brutais em locais múltiplos do planeta, o seu território, e porventura a sugerir conseguir regressar, descobrindo capacidades, ao recordar o fim da guerra de 1939-1945.

É suficientemente evidente que o lugar das superpotências anda gravemente disputado, é possível que qualquer delas comece porque a ambição, mesmo em guerra, aumenta, mas não se pode fazer justiça a nenhum que não deseje ser a grande potência deste tempo, e que isso de facto demonstre que participa no crescimento do desastre. Não será facilmente um poder estadista deste tempo ignorar que o risco global é que está pronto para o mais cedo e de maior dimensão, isto é, mais longe do "credo dos valores" e de que recebe, em condições habituais sem insuficiência, com imaginação como que num excelente de poder, tornar-se até sempre das mais apetecíveis capacidades partilháveis ou insuficientes. O Mediterrâneo já tornado história, em que no futuro os hoje combates, de regra sem glória, mas que hoje são atentados ao direito natural. Não vai ser fácil que o Ocidente perca muita da sua glória passada, e nenhum que assuma a sua luz do mundo. Neste sentido parece que a única verdadeira luz é a das velas dos altares que dão luz e vão morrendo.

É tempo de aceitar que é urgente o governo do mundo, o que não significa o renascimento de um império, mas apenas o de uma nova ordem. Os valores são conhecidos pela pregação, pelo "conceito em vigor", e sobretudo pela não observância. Falta que sejam ouvidas, com autoridade piedosa, as palavras que conseguem fixar a memória dos deveres de salvar a humanidade. Palavras que foram proferidas visando um futuro bem diferente do desastre crescente das vidas, dos sonhos, que lhe pertencem, da solidariedade humana que os fortalece. As resistências entre os que apenas parecem salvar-se dos ataques, cuja racionalidade não compreende em luta os que perdem a capacidade de salvaguardar uma presença em risco. De facto a desordem crescente, parece ser a única possível igualdade de todas as etnias. E não pela falta de combate: mas de combatentes.

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