Max perpetuou o bailinho da Madeira, numa versão popular, acolhedor ao ouvido, e com cores de traje do meu concelho (Santa Cruz, Madeira)..No próximo dia 24 setembro, espero eu, que a música mude de acorde, assim como a desejada perda da maioria parlamentar sem os apêndices de segunda linha, que a confirmar o que tenho ouvido no terreno: "serviram para tratar da sua vidinha, em detrimento dos demais cidadãos"..Quarenta e sete anos de uma gestão com três protagonistas, de uma mesma força política no Governo, criaram-se vícios, "senhorios", negociatas por entre um mão cheia de famílias poderosas, muitas delas a manjar regularmente no bolo um Orçamento regional, o mesmo que leva 415 milhões para o serviço da dívida..Respeito, compreendo e defendo incontestavelmente a Autonomia, um regime nem sempre compreendido pela civilidade centralista. Mas recordo as palavras do Brigadeiro Emanuel Carlos Azeredo, em julho de 1976, quando advertiu que para interesse das populações madeirenses seria "imperativo que do conceito de Autonomia seja afastada toda a demagogia fácil e enganosa", sob pena da "pesada fatura vir a ser paga, sobretudo pelos mais fracos, pelos mais pobres". E a fatura está à vista: uma das maiores taxas de risco de pobreza, apenas salários de 3700 euros para poder comprar uma casa; impostos mais altos (IVA) das regiões ultraperiféricas, quatrocentos euros para poder viajar dentro do território nacional, transporte marítimos de mercadorias 18% mais caro que nos Açores e custo de vida altíssimo..Hoje o madeirense carrega a canga do peso da dívida ter levado ao aumento brutal de impostos perante um somatório de uma gestão política despesista que levou ao empobrecimento da classe média, agora a braços com as consequências da inflação e dos mandamentos do Banco Central Europeu..Uma das reformas a fazer é a redução da despesa pública. Ninguém fala ou aprofunda essa necessidade. Uma redução que passe pelo emagrecimento da estrutura do governo, pela redução de cargos de assessorias e de nomeação, pela redução do sector empresarial às áreas estratégicas (assente na alienação de imóveis públicos), e mais eficiência na gestão de contratos públicos e aquisição de bens e serviços..O elevado custo de vida permanece intocável perante um governo regional protecionista a meia dúzia de grandes famílias que se fizeram substituir aos capitães-donatários quinhentistas. A falta de regulação do preço do gás, como produto energético, é um dos exemplos paradigmáticos. Os madeirenses pagaram, em 2022, mais 4,2 milhões de gás que os açorianos e uma botija de gás butano custa mais 10 euros que a mesma nos Açores, estando este mais distante do território continental. É curioso que nenhum órgão de comunicação regional se tenha interessado em esclarecer esta situação flagrante, e que esbarra com a figura, quase intocável, de um dos maiores acionistas de um órgão local..O monopólio da estiva e da movimentação de cargas no porto encarece igualmente o custo de vida. Como prometeu Miguel Albuquerque desde 2015 e não cumpriu, continuamos com os portos mais caros da Europa, retirando competitividade à economia e encarecendo o preço dos produtos. Empresários e consumidores continuam a financiar um monopólio à vista de todos..O operador, do Grupo Sousa, não paga renda há 30 anos (um caso único no país). Só há cinco meses, e por pressão nossa, passou a pagar dividendos. No entanto, os números oficias que tivemos acesso não batem certo. Considerando uma renda anual de 470 mil euros, o valor que surge liquidado é de apenas 30 mil euros em cinco meses, quando num único mês deveria estar saldado 39 mil euros..Isto são apenas duas ou três quadras de um bailinho da Madeira dos anos setenta. Espera-se um "novo" e refrescado bailinho a 24 setembro..Cabeça de lista do Juntos pelo Povo (JPP) às eleições na Madeira