O muro de Israel que Trump usa como exemplo 

Construção do muro da Israel foi considerada ilegal e ilegítima pela ONU e pelo Tribunal de Justiça Internacional
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O presidente dos Estados Unidos Donald Trump defendeu mais uma vez a construção do muro na fronteira com o México e comparou-o ao muro de Israel.

"O muro é necessário [...] e é bom para o coração da nação de certo modo porque as pessoas querem proteção e um muro protege. Basta perguntarem a Israel. Eles estavam num desastre total e construíram um muro. [A imigração ilegal] parou a 99.9%", disse Trump numa entrevista à FOX na semana passada.

O muro que Trump toma como um exemplo de sucesso é o que separa a Cisjordânia e Jerusalém Oriental do resto de Israel.

Esta barreira de mais de 700 quilómetros composta por concreto, tijolos, arame farpado e valas começou a ser construída em junho de 2002, quando o na altura primeiro-ministro israelita Ariel Sharon defendeu a criação de uma fronteira para travar a violência e os atentados frequentes na zona.

O muro tem ainda zonas de areia e terra para detetar pegadas, torres de vigilância do exército e estradas asfaltadas para permitir a patrulha dos tanques. Há cerca de 70 portas controladas pelos militares e por onde passam todos os dias cerca de 50 mil pessoas que têm autorização para cruzar esta fronteira de concreto, segundo o New York Times.

Se a justificação para a construção do muro era a falta de segurança, o governo de Israel acabou por perder a legitimidade da obra quando colocou parte do muro em território palestiniano.

O Tribunal Internacional de Justiça declarou em 2004 que o muro violava o direito internacional humanitário e os direitos humanos e que "Israel tinha a obrigação de pôr fim à violação das suas obrigações internacionais derivada da construção do muro nos Territórios Palestinianos Ocupados". Por estes motivos, o Tribunal Internacional pediu que Israel destruísse o muro, segundo o Huffington Post.

Em 2003, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução que pedia que Israel parasse a construção do muro e destruísse a parte já erguida pelos mesmos motivos. O muro foi considerado uma arma de ocupação e vários palestinianos deram-lhe o nome de "o muro do apartheid".

Ainda falta erguer 20% do muro de Israel, também conhecido como o muro da Cisjordânia, e o governo de Jerusalém não dá sinais de recuar, apesar do Tribunal Superior de Justiça israelita ter concluído várias vezes que é necessário modificar o traçado da construção.

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Graças a esta barreira, milhares de pessoas têm dificuldades em movimentar-se até para terem acesso a serviços médicos. Segundo um relatório do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários nos Territórios Ocupados da Palestina, em 2007 o número de palestinianos que consultava médicos especializados nos hospitais de Jerusalém desceu 50% e famílias inteiras foram divididas por este muro.

A economia e a demografia da Palestina foram afetadas e, segundo a ONU, este muro agrava a crise humanitária da Palestina.

Contudo, vários palestinianos conseguem dobrar as regras e passar às escondidas pelo muro - até 60 mil pessoas nas épocas altas. São principalmente trabalhadores da construção civil, das industrias ou agricultores sem autorização de trabalho que todos os dias passam por buracos ou com traficantes para procurarem trabalho em Israel.

Com o muro, o número de atentados terroristas em Israel diminuiu exponencialmente mas ainda se registam alguns. Segundo o New York Times, de vez em quando também atravessam o muro pessoas que vão cometer atentados terroristas em Israel.

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