O liberalismo incomoda e faz falta

Publicado a
Atualizado a

A Iniciativa Liberal é muito mais do que um partido vocacionado para o exercício do poder. Porque ambiciona impor a sua marca na cultura política. Aliás, só por ter aparecido, já concretizou este objectivo em grande parte. O liberalismo deixou de ser quase demonizado. Não fazia o menor sentido esta família política, tão enraizada na Europa a que Portugal pertence, continuar ausente do quadro partidário nacional.

Travamos um combate cultural, no domínio das ideias. Contra os tabus aqui instalados que glorificavam o socialismo enquanto pretendiam interditar o liberalismo. Vivemos durante décadas numa democracia inclinada, simbolizada no preâmbulo da Constituição de 1976, que ainda manda os portugueses "abrir caminho para uma sociedade socialista". Dogma imposto mesmo a quem recusa marchar nessa direcção.

Como se um liberal tivesse de ser socialista à força. Como se o liberalismo não tivesse inspirado a primeira Constituição portuguesa, há 200 anos. Um documento que foi um marco no reconhecimento da soberania popular, na separação de poderes, na igualdade jurídica e no respeito pela autonomia pessoal.

Essa Constituição representou um salto civilizacional ao enumerar um catálogo de direitos individuais pela primeira vez no nosso ordenamento jurídico. No seu artigo 1º ficou expresso, na ordem exacta, qual era o seu principal desígnio: "manter a liberdade, segurança e propriedade de todos os portugueses".

Os tempos são outros, mas para um liberal genuíno a palavra-chave continua a ser esta: liberdade. Também por isto, orgulhamo-nos de não sermos apenas mais um partido.

Um liberal convicto não se limita a invocar a sociedade civil como entidade abstracta. Quer resgatá-la do colete de forças do Estado tentacular.

Um liberal convicto não se limita a proclamar a supremacia do cidadão como titular da soberania que delega no exercício do voto: acredita mesmo na liberdade individual como valor supremo das sociedades mais dinâmicas.

Neste quadro, a IL já fez muito em poucos anos. Começando pela coragem de combater os preconceitos contra o liberalismo e desmontar todos os rótulos que usaram para tentarem denegrir-nos.

Mas sabemos que há muito por fazer. A luta contra os interesses instalados é longa e desigual.
Isto ficou bem evidente nos últimos dias, quando a máquina de propaganda socialista, com desonestidade intelectual, tentou colar a IL aos desmandos da demissionária primeira-ministra do Reino Unido. Liz Truss fez aquilo que os liberais jamais fariam: aumentar despesa pública. Aliás, agiu assim de modo semelhante ao do PS. Mas logo por cá alguns papagaios do regime, até de outros partidos, correram a replicar a falácia em espaços de comentário e redes sociais.

Uns e outros sabem muito bem que a Iniciativa Liberal é hoje a única verdadeira alternativa política ao PS. Assente em ideias e não em protagonistas do momento.

O liberalismo incomoda-os. Fazemos oposição. Mas não nos limitamos a criticar. Sentimos o dever e a responsabilidade de apresentar propostas credíveis que demonstrem aos portugueses a visão e o pensamento liberal. Fazer oposição com posição. Com a certeza de que, seja qual for o problema, a liberdade fará sempre parte da solução.

Alguns falam nela sem saberem o que significa. Nisto, nada como ir às fontes históricas. Uma vez mais, à Constituição de 1822. Que, no seu artigo 2º, a definiu assim: "A liberdade consiste em não ser obrigados a fazer o que a lei não manda, nem a deixar de fazer o que ela não proíbe."
Lema de então, lema de agora. Inspirador, hoje e sempre.


Deputado Iniciativa Liberal
Escreve de acordo com a antiga ortografia

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt