Da Vista Alegre à presidência do grupo OCPA e do Sporting .Foi parar à construção, mas a sua maior paixão foi a Vista Alegre. É gestor, mas hoje teria escolhido a engenharia, embora não a civil. Acumula cargos de dirigente empresarial e desportivo e admite em tom de desabafo que é com dificuldade que gere tantas actividades..Filipe Soares Franco é, desde 2000, presidente do grupo OPCA, que hoje está entre as seis maiores construtoras nacionais, mas é como presidente do Sporting, cargo que ocupa desde Outubro de 2005, depois da saída de Dias da Cunha, que se tornou mais conhecido. Não obstante ser impossível passar despercebido, graças ao seu 1,93 metros num país de gente de estatura média..O gestor acumula a presidência da OPCA e de várias empresas do grupo com a liderança da Associação Nacional das Empresas de Obras Públicas (ANEOP), entidades que funcionam convenientemente no mesmo edifício. Ao lado, fica o Sporting, que, garante Soares Franco, só ocupa 30% do seu tempo num dia normal de trabalho. O resto é para a construtora OPCA..Um dia típico de trabalho começa às seis da manhã, sempre com a refeição mais importante do dia - o pequeno-almoço. Chega a Lisboa a conduzir o seu carro, um BMW, modelo para aguentar os 60 mil quilómetros por ano. Só usa motorista quando tem de fazer percursos na cidade e, para evitar os congestionamentos, não tem problema em apanhar o metro. Ganha o suficiente para fazer aquilo que quer, mas não vive rodeado de luxo - a casa tem 140 metros quadrados, o suficiente para quem vive sozinho. Com 54 anos, é divorciado e tem quatro filhos. .Além das empresas e do Sporting, ainda lhe sobra tempo para presidir ao Clube de Ténis do Estoril. Fora do ginásio, e já ao fim-de-semana, o ténis e a natação fazem parte do lazer. Soares Franco nada na praia da Conceição, em Cascais, a mesma de Marcelo Rebelo de Sousa, mas a horas diferentes. .Para um homem com uma vida tão ocupada, que muitas vezes se estende por sete dias da semana por causa dos jogos do Sporting, é importante tirar férias várias vezes, com um período mais longo no Natal e outro no Verão. "É uma regra que tenho para aguentar uma vida tão intensa e com tanta responsabilidade e decisão." De resto, não vai ao cinema, mas gosta muito de ler, tendo como autores favoritos dois escritores norte-americanos, John Grisham e Sidney Sheldon. .Licenciado em Gestão, curso que começou em Évora no IESE e terminou na Católica, Filipe Soares Franco viveu os seus dias profissionais mais apaixonados na Vista Alegre, um negócio de família, já que a mãe era uma das accionistas. Esteve 12 anos na empresa de cerâmica e porcelana, onde ocupou vários cargos, desde director comercial até administrador de participadas. A Vista Alegre teria sido a empresa da sua vida, mas saiu em 1990 depois de ter perdido um leilão entre os vários accionistas numa batalha para garantir o seu controlo. .Passou pela Tecnovia, empresa de construção participada pelo Grupo Espírito Santo (GES) e em 2000 vai liderar a OPCA, empresa também controlada pelo GES e que assinala este ano o 75.º aniversário. O grupo tem na construção e obras públicas a principal actividade, mas está a diversificar--se. Nomeadamente, através da fábrica de cerâmica Aleluia, no imobiliário e turismo, concessões rodoviárias, aeroportos, saúde, ambiente e turismo. Fora do País, está em Espanha, onde comprou a construtora Sarrion, e em Angola. A OPCA, juntamente com a construtora Sopol, que comprou este ano, factura 500 milhões de euros..Apesar de gostar da construção - um negócio interessante pela sua dimensão, mas também porque envolve equipamentos públicos e infra-estruturas que "mudam a vida das pessoas e são muito importantes para o desenvolvimento do País"-, a engenharia civil não seria a sua primeira opção como formação alternativa. "A gente sabe que aquilo que está a fazer é ou pode vir a ser emblemático." Mas "se voltasse atrás não tiraria Gestão - que acha demasiado fácil -, mas sim engenharia, não civil, mas de produção".