O fado da antiga aristocracia

Publicado a
Atualizado a

Filho de D. Vicente da Câmara teve ancestrais célebres na Madeira

Filho mais novo do fadista D. Vicente da Câmara e de sua mulher, D. José do Carmo de Ataíde da Câmara, nasceu em Lisboa a 23 de Maio de 1967. Tal como o seu pai e os seus cinco irmãos mais velhos, nasceu em Lisboa. A sua mãe, Maria Augusta de Melo Novais e Ataíde, é alentejana, com raízes também em Lisboa e na zona oeste (Alenquer, Cadaval e Caldas). É filha de Manuel Zuzarte de Mascarenhas de Novais e Ataíde - filho de Francisco de Novaes da Cunha e Brito Sotto Mayor e Athayde e sua mulher, Ana Isabel Zuzarte de Mascarenhas - e de Elvira Beatriz de Melo Lobo da Silveira, da antiga casa dos morgados de São Francisco, em Évora.

A familiaridade com o fado vem decerto do contacto com seu pai, D. Vicente Maria do Carmo da Câmara, filho de D. João Luís de Seabra da Câmara, jornalista e escritor, e de D. Maria Edite do Carmo de Noronha. Esta senhora era irmã da fadista D. Maria Teresa de Noronha, ambas filhas de D. António Maria do Carmo de Noronha e de Maria Carlota Apletton de Noronha Cordeiro Feio, que também cantava, e netas de D. António Caetano do Carmo de Noronha (filho dos 2. os condes de Paraty) e de D. Maria Domingas de Figueiredo Cabral da Câmara (filha dos 3. os condes de Belmonte e bisneta de D. João VI e de D. Carlota Joaquina). Na descendência dos 2. os condes de Paraty, por devoção a Nossa Senhora do Carmo, quase todos juntam "Carmo" ao primeiro nome próprio. Os Noronhas dos condes de Paraty descendem dos condes de Valadares, que por sua vez provêm dos de Linhares, tendo por raiz comum D. Afonso, conde de Noronha, filho de Henrique II, rei de Castela, e genro de D. Fernando I, rei de Portugal.

Foi bisavô de José da Câmara D. Vicente de Paula da Câmara, médico, filho do escritor e poeta D. João da Câmara, nascido em Lisboa, no palácio dos marqueses da Ribeira Grande, seus pais, à rua da Junqueira, em 1852. D. João da Câmara escreveu mais de 40 peças teatrais representadas sempre com enorme sucesso, sendo considerado o maior dramaturgo português do fim do século XIX. Além disso, era formado em Engenharia pelo Instituto Industrial e trabalhou na administração dos caminhos-de-Ferro. Casou com Eugénia de Melo Breyner, filha dos 2. os condes de Mafra. Era neto paterno dos 7. os condes da Ribeira Grande e neto materno dos 3. os duques de Lafões. O 7.º conde da Ribeira, seu avô, era quarto-neto de D. Manuel da Câmara, 4.º conde de Vila Franca, que em tempo de D. Afonso VI passou a usar o título de 1.º conde da Ribeira Grande. Era sexto-neto por varonia de Rui Gonçalves da Câmara, 3.º capitão donatário da ilha de São Miguel, nos Açores, cargo que comprou e passou aos primogénitos da sua descendência. Este era filho segundo do navegador João Gonçalves Zarco, descobridor da Madeira, onde, da povoação de Câmara de Lobos, retirou o apelido que passou à sua família.

Além de fadista, José da Câmara é empresário, tendo-se dedicado à restauração. Presentemente, além dos espectáculos, canta no seu restaurante O Tabuleiro, em Telheiras. É casado e tem três filhos.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt