No dia em que chega às livrarias portuguesas, A Bruxa de Portobello, último romance do brasileiro Paulo Coelho, já tem a segunda edição em tipografia. Com uma tiragem de 100 mil exemplares, a primeira edição não chegou para as encomendas dos livreiros, o que levou a editora, a Pergaminho, a mandar fazer mais dez mil livros. Ao todo, e a partir de hoje, estão disponíveis 110 mil exemplares de A Bruxa de Portobello, um número "que o mercado deverá absorver em 60 dias", declarou ao DN o editor Mário Moura. .O livro que conta a história de Athena, mulher "que em criança dizia ter visões proféticas", adulta que "dançava até entrar em transe místico" foi apresentado pelo autor na passada segunda-feira em Lisboa, numa cerimónia nos Jerónimos, e tem hoje lançamento simultâneo em Portugal, Brasil e toda a América Latina. É o 13.º título de Paulo Coelho, escritor com 75 milhões de livros vendidos em todo o mundo (o número vem no seu site), e apontado como o autor que mundialmente mais vendeu em 2003, ano em que editou Onze Minutos. Em Portugal, vende anualmente 200 mil exemplares "e cada vez que lança um livro, arrasta as vendas dos anteriores. Agora não será diferente", comentou, uma vez mais, ao DN, o editor da Pergaminho..Vestido de preto, cabelo rapado com uma madeixa branca na nuca, voz pausada, mão hesitando entre o bolso e os botões do casaco, Paulo Coelho falou aos jornalistas, de pé, numa sala do Museu de Arqueologia, naquilo a que no Brasil se chama "uma colectiva" e enquanto dois monitores transmitiam a imagem de um Paulo Coelho vestido de azul a responder às perguntas que supostamente mais lhe fazem. Um vídeo de nove minutos de respostas à medida, que ecoavam em fundo às perguntas e respostas em tempo real. Aos microfones, o autor de Alquimia (1988) foi falando dos seus livros, do processo de escrita, dos fãs, mas também da língua portuguesa, do Brasil actual, da imigração, das declarações do Papa e da sua decisão de votar Lula da Silva nas presidenciais do próximo dia 1 de Outubro..Foi um Paulo Coelho em discurso directo. Sobre o livro: "Vai contando a história através do olhar das outras pessoas. Os outros são o nosso espelho." Sobre o uso da Internet na relação com os fãs: "Sem esse contacto não sou ninguém. É ele que me enriquece, que me dá material. Tou investindo uma quantidade razoável de dinheiro para criar um portal para colocar as pessoas mais em contacto. Os meus leitores estão muito comprometidos com os problemas do momento presente e a Internet pode ser um instrumento maravilhoso para que você não fique sozinho nesse compromisso." Sobre Lula: "Eu não votei no Lula, mas o governo dele foi uma surpresa muito agradável. Então esse ano vou votar nele. Não se deu nenhum milagre, mas foi um presidente comprometido com o processo democrático em tudo o que é fundamental para uma sólida estrutura brasileira. Fez um grande governo. Escândalos? Há. Em qualquer governo, em qualquer país, da Noruega ao Japão." Sobre o sermão do Papa: "Foi um pouco complicado e aí o meu leitor tem razão, mas de qualquer maneira ele provocou uma polémica muito positiva para a igreja católica."