Nome famoso, vida discreta e amigos importantes

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Em privado é extrovertido, em público é reservado e discreto. Não gosta de se expor, por isso recusa-se a dar entrevistas, mas alguns dos negócios em que se envolveu ao longo da vida, por vezes polémicos, trouxeram o seu nome para as páginas dos jornais.

Na última semana, Vasco Pereira Coutinho voltou a aparecer na imprensa. Desta vez porque "facilitou os contactos" (tal como ele explicou) a amigos chineses que lhe manifestaram interesse em ter uma participação na SAD do Benfica. A hipótese de os investidores orientais lançarem uma OPA (oferta pública de aquisição) concorrente à de Joe Berardo sobre o clube português está agora a ser investigada pela CMVM e corre o risco de ir parar ao Ministério Público, tal como avisou esta semana o presidente da entidade reguladora dos mercados, Carlos Tavares.

Quem conhece Vasco Pereira Coutinho, 55 anos, diz que "jamais se envolveria no negócio da compra de um clube, porque não faz o seu género", nem gosta de futebol. "O único jogo a que assistiu foi o Portugal-Inglaterra, no decurso do Euro 2004", diz um amigo. Gosta mais de praticar outros desportos. Faz esqui na estância de Courchevel, nos Alpes Franceses, e esqui aquático, mergulho e hipismo.

Nos tempos livres, gosta de caçar, viajar com a família, de avião ou no seu barco, que já tem 25 mil quilómetros com ele a pilotar, e adora receber amigos na Lapa, onde vive, em Lisboa, ou na Quinta de Mata Mouros, em Silves, para onde "foge" sempre que pode. Este foi o cenário escolhido para dar uma das maiores festas, a da comemoração do seu 25.º aniversário de casamento, em 2000, onde estiveram várias personalidades da política e dos negócios, nacionais e estrangeiras.

A próxima comemoração já deverá ser feita num outro local, também no Algarve, pelo qual se apaixonou: um castelo em Ferragudo, que está a restaurar há sete anos. Aliás, ele está sempre a restaurar qualquer coisa, porque gosta de tudo o que é antigo. Um gosto que partilha com a mulher, Isabel, arquitecta. Além disto, gosta também de pilotar helicópteros, por isso tirou o brevet há mais de dez anos.

Filho de pai militar, D. Diogo Pereira Coutinho, que mais tarde se transformou num grande empresário, e de mãe oriunda de família de diplomatas, Vasco e o irmão tiveram uma infância bem passada em Lisboa, mas também uma educação conservadora, que marcou a sua postura disciplinada. Desde cedo perceberam que havia outro mundo além-fronteiras, porque a mãe viajava muito.

Do seu círculo de amigos fazem parte Durão Barroso, Ricardo Salgado, Carlos Monjardino, Diogo Vaz Guedes, Mira Amaral, Jorge Armindo, Estela Bourbon, Américo Amorim, entre muitos outros. Alguns fizeram parte da infância e a adolescência, parte passada no Colégio São João de Brito, onde estudou. Outros ganhou-os na vida de homem de negócios.

Começou quando tinha apenas 22 anos, mais precisamente no 25 de Abril. Os pais tiveram de abandonar o País e ele ficou à frente das empresas da família, que já representavam uma fortuna e empregavam milhares de pessoas. A jóia da coroa do grupo era a Somafel, fornecedora de materiais para os caminhos-de-ferro em Portugal e nas ex-colónias. Com 24 anos, Vasco Pereira Coutinho, ainda a acabar o curso de Economia no actual ISEG, na Rua do Quelhas, montou o financiamento do projecto de renovação do caminho-de- ferro de Nacala, em Moçambique, de 350 milhões de dólares. Já nos anos 80, a família regressa a Portugal, vende a Somafel e ele e o seu único irmão, João Pereira Coutinho, compram a Volkswagen de Portugal Automóveis Lda., o então importador das marcas Volkswagen e Audi.

João continuou no negócio, tendo criado a Siva em 1987, mas Vasco dedicou-se ao imobiliário no final da década. Hoje é promotor de um milhão de metros quadrados de projectos só à volta de Lisboa, mas os negócios estão espalhados pelo País e além-fronteiras (ver página 4). A IPC Holding e a Temple são dois dos rostos mais visíveis do seu grupo empresarial. Angola, Brasil e China são os mercados onde aposta (ver caixas), para já, mas há outros em estudo, segundo nos contam responsáveis das suas empresas.

Apesar de estar sempre a pensar em novos projectos e negócios, como nos contou a sua secretária, Isabel Sampaio, raramente faz almoços de trabalho, reserva este tempo para estar com os amigos. O jantar é normalmente com a família. É a parte do dia que dedica à conversa com os dois filhos. Isabel diz ainda que é um homem que gosta das coisas que faz e quer fazer rápido. As indecisões irritam-no.

Mira Amaral e Carlos Monjardino, dois dos seus amigos que não fizeram questão no anonimato, dizem que "é um homem de bom senso", "muito educado" e com "grande visão empresarial".

Por isso, apostou na China antes de muitos começarem a pensar no crescimento daquele país, explica Monjardino. No entanto, todos consideram que, apesar de ter uma intensa vida social, não gosta de aparecer em público. Diz, por graça, que é para não ser reconhecido na pasteleria onde toma café.| -A. T. R.

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