Nigéria avisa Galp para "redução substancial" na produção e oferta de gás

Cheias que assolam o país africano estão a causar uma redução na produção e oferta de gás natural liquefeito e de gás natural. O Ministério do Ambiente e da Ação Climática diz que não existe neste momento qualquer confirmação de redução nas entregas a Portugal
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A Galp recebeu da Nigeria LNG, o seu principal fornecedor de gás natural, um "aviso de força maior" de que as cheias que estão a afetar a Nigéria estão a causar uma "redução substancial" na produção e oferta de gás natural liquefeito e de gás natural.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Galp diz que a situação poderá resultar em "perturbações adicionais de fornecimento à Galp."

"A Galp lamenta o impacto humanitário causado pelas cheias e "continuará a monitorizar atentamente esta situação, e a informar de qualquer desenvolvimento com impacto material", pode ler-se na nota.

Em reação, já na noite desta segunda-feira, o Ministério do Ambiente e da Ação Climática adiantou que "não existe neste momento qualquer confirmação de redução nas entregas de gás da Nigéria", afirmando não haver "escassez no mercado".

"O Ministério do Ambiente e da Ação Climática informa que não existe neste momento qualquer confirmação de redução nas entregas de gás da Nigéria. Mesmo que tal acontecesse, não há escassez no mercado", salientou o ministério num comunicado enviado às redações.

"Qualquer informação alarmista é desadequada, ainda mais em tempos de incerteza global", acrescentou o gabinete de Duarte Cordeiro.

No Início deste mês, uma notícia avançada pelo Jornal de Negócios dava conta de que a Nigéria tinha falhado quatro entregas de gás natural a Portugal o que teria levado o secretário de Estado da Energia, João Galamba, a deslocar-se àquele país africano, por forma a garantir as entregas contratualizadas a Portugal.

"Houve aqui alguma desinformação, porque foi entendido que aquilo que foram as entregas que não corresponderam ao contrato, houve um entendimento que elas teriam acontecido recentemente. Não é um facto, elas foram acontecendo desde o final do ano passado até este ano, foram distribuídas no tempo", explicou na semana passada o ministro do Ambiente, Duarte Cordeiro, em conferência de imprensa sobre o pacote de 3000 milhões de euros para apoio à fatura energética das empresas.

"Temos confiança na Nigéria e naquilo que é o cumprimento dos contratos que têm connosco. É isso que nós esperamos e é isso que nós procuraremos que venha a acontecer", reiterou o governante.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, disse, a 6 de outubro, em Paris, que Portugal acredita que a Nigéria está a fazer "todos os esforços" para entregar o gás com o qual se comprometeu e que os contratos deste género preveem "penalizações e prazos".

Mais de 600 pessoas morreram desde junho nas inundações mais mortíferas a atingir a Nigéria numa década, causadas por chuvas sem precedentes, que forçaram 1,3 milhão de pessoas a abandonar as suas casas.

Desde o início da estação chuvosa, muitas partes do país mais populoso de África foram devastadas por inundações, aumentando os temores de um agravamento da insegurança alimentar e da inflação.

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