No balanço final, enquanto os Kodaline tocavam no palco principal, o responsável do NOS Alive Álvaro Covões não podia estar mais satisfeito com o modo como o festival decorreu. Além da qualidade dos concertos e dos bilhetes vendidos, celebrou o primeiro "bebé Alive": Rodrigo. A mãe estava a assistir aos concerto de The XX, na quinta-feira, quando as águas rebentaram e se dirigiu ao espaço de apoio às grávidas que existe no festival, tendo sido encaminhada para o hospital Garcia da Orta. O Rodrigo nasceu na noite de sexta-feira, enquanto no Alive se ouvia de The Kills. Talvez no próximo ano, Rodrigo já venha ao festival com os pais. As datas de 2018 já são conhecidas há muito: 12, 13 e 14 de julho..Entretanto, o último dia do festival decorreu em beleza. James e Linda estão sentados a beber um copo de Mateus Rosé. Têm a pele queimada do sol, a descascar nos ombros e no nariz. Linda descalçou os sapatos e usa uma bandeira do Reino Unido como capa, atada ao pescoço. Mas daqui a pouco hão de aproximar-se do palco principal para ver The Black Mamba. E depois Kodaline e depois todos os outros. Vieram de Inglaterra na quarta-feira propositadamente para o Nos Alive e vão ficar em Lisboa até quarta para dar mais uns passeios: "Foram os nossos amigos, que já vieram noutros anos, que nos disseram para vir. E ainda bem. É espetacular." A viagem serviu também para celebrar os 70 anos de James, que é um ex-músico.."Como somos mais velhos, geralmente preferimos concertos, já não temos muita paciência para festivais com muita confusão e empurrões. Mas aqui é tudo tranquilo, estamos a adorar", conta Linda. Na primeira noite, descobriu que se tinha esquecido da medicação para as artroses e estava cheia de dores. "Fui ao centro médico aqui do festival e deram-me comprimidos. Fiquei até às duas da manhã", ri-se. Dos concertos - todos "super" - destacam a descoberta da banda portuguesa You Can"t Win Charlie Brown. "Somos muito ecléticos e adoramos descobrir novas bandas.".No último dos três dias de festival Nos Alive, a tarde começou cinzenta e ventosa mas terminou solarenga, com a relva falsa junto ao palco principal a servir de colchão para muitos dos festivaleiros. Mariana e o seu grupo de amigos (são nove no total) aproveitam para jogar às cartas enquanto esperam por Kodaline. Vieram de Coimbra assim que os exames acabaram e estão instalados no parque de campismo. Mariana tem 20 anos e gostou especialmente dos concertos de The XX e Alt-J, mas tem uma crítica a fazer: "A água é muito cara. 1,50 euros por 20 centilitros é demais", queixa-se..De uma maneira geral, no entanto, quem veio ao Nos Alive está satisfeito com os concertos e com a organização. "Nota-se que há mais pessoas do que noutros anos, há mais confusão", admite Carolina, que tem 15 anos e desde os 11 que vem ao festival. Mas também diz que "não é dramático". É só uma questão de entrar na onda..Este ano, a grande moda foi a tinta verde nos rostos, às riscas ou em formas mais ousadas, cortesia da sociedade Ponto Verde que andou a alertar os espectadores para a importância da reciclagem e da proteção do ambiente - ainda que neste festival os copos de plásticos não sejam recicláveis, Álvaro Covões, da Everything is New, sublinhou que todas as noites uma equipa de voluntários recolhe os copos deixados no recinto para serem reciclados: foram 37 mil na primeira noite e 46 500 na segunda.