Donald Trump pediu um tempo para pensar. Para refletir sobre o clima. Não houve por isso uma posição comum dos líderes do G7 nesta questão. O comunicado final da cimeira refere isso mesmo. "Os EUA estão a reavaliar as suas políticas sobre as alterações climáticas e sobre o Acordo de Paris e por isso não estão em condições de juntarem-se ao consenso sobre esta matéria", pode ler-se no documento divulgado ontem no final da cimeira, que decorreu em Taormina (Itália). O presidente norte-americano usou depois o Twitter para garantir que durante a próxima semana tomará uma decisão sobre o assunto.."Toda a discussão sobre o clima foi muito difícil, para não dizer desagradável. Não sabemos se os EUA vão continuar no Acordo de Paris ou não", afirmou Angela Merkel em declarações aos jornalistas. "Houve argumentos muito diferentes que todos apresentámos para tentar convencer o presidente a manter os EUA no acordo sobre o clima", disse ainda a chanceler alemã. Mas Donald Trump resistiu às pressões dos restantes membros do G7 (Canadá, França, Itália, Japão, Reino Unido e Alemanha) e da União Europeia e não se comprometeu..Gary Cohn, principal conselheiro económico de Trump, garantiu que a visão do líder sobre as questões climáticas está a "evoluir". O presidente "sente-se hoje muito mais conhecedor do tema". Ainda assim, Cohn deixou claro que a decisão será baseada "naquilo que for melhor para os EUA"..Invenção chinesa.Há muito que é conhecido o ceticismo do presidente norte-americano sobre o problema das alterações climáticas. "O conceito de aquecimento global foi criado pelo e para os chineses com o objetivo de tornar a indústria dos EUA não competitiva", escreveu Donald Trump no Twitter a 6 de novembro de 2012. Durante a campanha eleitoral isso voltou a ficar claro, quando o então candidato republicano pôs em causa que houvesse uma relação entre a atividade humana e as mudanças no clima..Com esta posição de força perante os parceiros do G7, Trump pretende, pelo menos, conseguir um compromisso menos exigente no que diz respeito à redução da emissão de gases que provocam o efeito estufa. Barack Obama, o seu antecessor na Casa Branca, tinha-se comprometido no Acordo de Paris, assinado em 2015, a reduzir as emissões em pelo menos 26% até 2015. Uma decisão que, de acordo com Cohn, "iria estrangular o crescimento" da economia norte-americana..Menos mau foi o debate em relação ao comércio livre. Apesar das reservas de Trump sobre o assunto, no comunicado final da cimeira está presente uma declaração de combate às barreiras comerciais. "No final conseguimos convencê-lo a incluir a luta contra o protecionismo. Isso foi um passo em frente", sublinhou à Reuters um diplomata europeu que preferiu não ser identificado. No passado, nomeadamente durante a campanha eleitoral, Trump tinha ameaçado, por exemplo, impor tarifas unilaterais às importações vindas da China e do México e ainda nesta semana disse que a Alemanha é "muito má" no comércio - devido ao excedente que regista nas trocas com os EUA..Depois de nove dias, a primeira viagem presidencial ao estrangeiro de Donald Trump - que começou na Arábia Saudita - chegou ao fim. Ontem, após o final da cimeira do G7, o presidente dos EUA reuniu-se ainda com militares norte-americanos estacionados na base de Sigonella, também na Sicília.