Quatro acusados em co-autoria dos crimes de homicídio e ocultação de cadáver de um homem de 43 anos, no início do ano, em Ílhavo, foram ontem condenados a penas que variam entre 21 e 13 anos e 6 meses de cadeia, em cúmulo jurídico..Rosa Almeida, 40 anos, mulher do falecido, que estava em prisão domiciliária, viu-lhe ser aplicada a pena mais pesada (21 anos), tendo abandonado a sala em pranto. Pela gravidade do crime e por o colectivo entender que havia perigo de fuga, a mentora do homicídio recolheu de imediato a estabelecimento prisional. .Já o seu sobrinho e afilhado, Nuno 'Mocho', de 18 anos, foi condenado a 19 anos de prisão. Dois outros jovens que colaboraram no crime, Rui Silva e Bruno Silva, de 19 e 21 anos, foram condenados, respectivamente, a 15 anos e 9 meses e 13 anos e 6 meses de prisão. Bruno, que estava em liberdade, fica agora em prisão domiciliária e possibilidade de vigilância electrónica a aguardar trânsito em julgado.."Todos agiram de forma livre, voluntária e consciente", referiu o juiz-presidente do colectivo no acórdão. "Os factos são de extrema gravidade, além disso, a forma de execução e o grau de culpa é muito elevado", acrescentou..Os acusados remeteram-se ao silêncio durante o julgamento que foi rodeado de apertadas medidas de segurança..O crime que abalou a localidade ocorreu entre os dias 2 e 3 de Janeiro, em hora não apurada, mas depois das 19.30. Os três rapazes dirigiram-se à residência da família Mota, na Rua dos Moitinhos. Introduziram-se no anexo onde se encontrava António Mota e com um objecto contundente desferiram várias pancadas na cabeça. A morte resultou, segundo a autópsia, de lesões cranioencefálicas. Os arguidos embrulharam o corpo num cobertor e transportaram-no para um lugar ermo, na Ermida. O carro da vítima foi abandonado..O colectivo deu como provado que Rosa Almeida se dedicava à prostituição desde 2006, sem o conhecimento dos familiares e mantinha uma relação extraconjugal. Em 2008, Rosa formulou a vontade de se livrar do marido, mas não ficou provado que tenha sido com a pretensão de ficar com o dinheiro do seguro de vida. De resto, o tribunal revelou "dificuldade em compreender o seu comportamento". Quanto ao arguido Nuno, pesou o facto de ter conduzido os agentes da PJ ao local onde foi encontrado o corpo..Os depoimentos no julgamento de dois jovens que recusaram participar no crime, Ricardo e Daniel, aliciados com três mil euros, foram relevantes, já que revelaram elementos relacionados com o homicídio..O advogado dos familiares da vítima, Rui Dias, mostrou-se satisfeito com as penas, enquanto os da defesa anunciaram no final do julgamento a pretensão de apresentar recurso da sentença do tri- bunal de júri para a Relação de Coimbra por falta de provas que conduzam a penas tão pesadas .