Morreu 'Ramona', uma das mais lendárias comandantes zapatistas

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Os zapatistas e, de um modo geral, os índios dos grupos etnoculturais tzotzil, tzeltal e tolojábal colocaram bandeiras a meia haste. Acabam de perder a lendária comandante "Ramona", bordadora de profissão e figura marcante na cúpula do EZLN, o chamado "Comité Clandestino Revolucionário Indígena".

Os guerrilheiros decidiram interromper, por agora, a digressão pelo país iniciada no primeiro dia do ano.

De baixa estatura, quase "invisível" para as pessoas que a escutavam, "Ramona" lutou nos últimos dez anos contra um cancro, tendo permanecido na Selva Lacandona.

Em Outubro de 1996, numa das fases mais ásperas do "diálogo" entre os guerrilheiros e o então presidente Zedillo, a comandante "Ramona" empreendeu uma arriscada viagem individual à Cidade do México.

Pela primeira vez a sociedade civil, na capital do país, teve ensejo de observar e escutar um guerrilheiro zapatista, a pequena mulher tzotzil, encapuzada, pequenina, de palavra serena e chamativa. Diante de 70 mil pessoas que a aclamavam no Zócalo da grande metrópole, ela disse simplesmente "Queremos um México capaz de mudar. Um dia, o México será livre."

A guerrilheira agora desaparecida não conseguiu recuperar de um transplante renal efectuado num hospital da Cidade do México.

Era "uma mulher doce e discreta com a força de uma bomba", segundo a caracterização do politólogo e escritor Hermann Bellinghausen, que a conheceu de perto.

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