Moedas quer que Governo resolva problemas dos comboios em Lisboa

Câmara está preocupada com a crescente insatisfação dos utilizadores dos comboios, que diz estar também a afetar quem beneficia dos transportes públicos gratuitos na capital.
Publicado a
Atualizado a

O executivo liderado por Carlos Moedas apresentou na reunião privada da Câmara de Lisboa desta quarta-feira uma moção que pretende "instar o Governo a tomar as medidas necessárias para a resolução dos problemas que afetam a utilização da ferrovia na cidade de Lisboa e dos concelhos limítrofes", mas também a Assembleia da República para "promover um amplo debate parlamentar sobre a política pública de mobilidade do Governo".

No texto da moção, a que o DN teve acesso, a autarquia refere que "a dimensão ferroviária da mobilidade urbana não tem sido devidamente acautelada pelo Governo". E dá vários exemplos, sendo um deles as greves registadas na CP, dizendo que "é com grande preocupação que a Câmara Municipal de Lisboa verifica uma crescente insatisfação dos utilizadores do transporte público ferroviário, associada também às recentes perturbações no transporte ferroviário que vêm sendo sentidas e reportadas", nesse sentido lembra que foi emitido um novo pré-aviso de greve dos maquinistas da CP entre os dias 10 e 17 deste mês. É ainda lamentada a posição tomada pelo Governo de António Costa relativamente ao incidente de 1 de março, quando um comboio sobrelotado ficou mais de uma hora parado junto à estação de Benfica.

Outro dos maus exemplos da política do Governo em termos de mobilidade, segundo a autarquia lisboeta, é "o atraso na execução do Programa Ferrovia 2020, que já deveria ter terminado em setembro de 2021, como o atraso na requalificação e substituição do material circulante, cujas primeiras composições, para o serviço regional, apenas deverão começar a ser entregues em 2025, sete anos depois de o Governo ter aprovado a respetiva aquisição".

É ainda referida a "tomada de decisões casuísticas que possam rapidamente suprir as deficiências nos serviços e a falta de oferta", como o anunciado aluguer de 18 automotoras a diesel à espanhola Renfe por 19,5 milhões de euros até 2025 ou, mais cedo, caso estas composições atinjam a respetiva vida útil antes desse prazo.
O Governo de António Costa é ainda acusado pela Câmara de Lisboa de fazer uma gestão da CP e da Infraestruturas de Portugal que "não tem assegurados nem mobilizados os meios suficientes para concretizar respostas e soluções para a densificação e reforço da oferta", apostando na aquisição de novos comboios e no investimento no material circulante e nos trabalhadores. "No que a Lisboa especificamente diz respeito, verificam-se constantes atrasos e supressões nas viagens de e para o centro da cidade, com evidente perda de qualidade do serviço e que afetam os utilizadores do transporte ferroviário que dele dependem para as suas deslocações diárias."

A moção ontem discutida em reunião de câmara lembra também que a introdução da gratuitidade do transporte público de passageiros na cidade de Lisboa aos residentes estudantes até aos 23 anos e aos maiores de 65 anos - "medida que deveria ser alargada ao nível metropolitano e nacional, assegurando a correspondente verba no Orçamento de Estado" - abrange não só a Carris, uma empresa municipal, mas todos os operadores de transporte público de passageiros, incluindo o ferroviário, "com um elevado potencial de impacto na substituição do transporte particular pelo transporte público". No entanto, "os beneficiários desta medida, de cariz totalmente inovador e sem precedentes na cidade de Lisboa, acabam por ser igualmente afetados por este clima de insatisfação geral com o serviço prestado pela CP e pela IP".

A Câmara de Lisboa garante que "não deixará de assumir as suas responsabilidades nessa e nas outras medidas e políticas que desenvolve com o objetivo de promover uma mobilidade segura, sustentável e previsível que, ao invés de causar transtornos aos utilizadores, pretende facilitar a circulação fluida na cidade e nas viagens de e para os concelhos limítrofes", mas deixa um aviso a António Costa: "O impacto desta ausência da política ferroviária de que Lisboa e o país carecem por parte do governo e de incentivo à utilização do transporte ferroviário provoca, ainda, um aumento do uso do transporte particular, em contraciclo com o discurso do Governo nesta matéria e com fortes impactos negativos na mobilidade, na saúde e na qualidade do ar, o que afeta negativamente o bem-estar da população da cidade de Lisboa, com fortes congestionamentos de tráfego nas principais artérias da cidade, em praticamente todas as horas do dia", pode ler-se ainda no texto da moção.

Esta proposta foi ontem a votos, tendo havido seis votos a favor, seis contra e uma abstenção. O voto de qualidade atribuído ao vice-presidente Filipe Anacoreta Correia (em substituição do presidente) que iria aprovar a moção foi contestado pelo PS, que argumentou que este não era válido, tendo a questão sido então enviada para os serviços para avaliação e a votação final adiada.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt