Missão portuguesa em Kandahar até final do mês

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Parte da companhia portuguesa da Brigada de Reacção Rápida no Afeganistão, num total de 130 militares, já está estacionada há dez dias em Kandahar, no Sul do país, a proteger o aeroporto da segunda maior cidade afegã. A missão deverá prolongar-se até ao final de Setembro, foi ontem explicado em Lisboa pelo chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, almirante Mendes Cabeçadas.

Portugal tem 153 militares no Afeganistão e a companhia de pára-quedistas constitui a reserva táctica da Força Internacional de Segurança e Assistência (ISAF), comandada pela NATO e que reúne soldados de 37 países. A força não tem restrições ao respectivo uso pelos comandantes operacionais e actuou em diversas missões, incluindo no Sul do Afeganistão, a zona mais perigosa.

A unidade foi deslocada para Kandahar no âmbito da expansão da NATO no Sul do Afeganistão, mas esta mobilização não resolveu o problema de falta de tropas da aliança, perante a violência da insurreição talibã. Na semana passada, os chefes militares pediram um reforço entre 2000 e 2500 homens para o Sul. A NATO quer acabar com as limitações no uso dos soldados, mas os governos estão a resistir a isso e ao envio de novas unidades para o terreno. Anteontem, foi adiada uma decisão sobre o assunto.

Reforços prometidos

A excepção foi a Polónia (com forte presença no Iraque), que aceitou enviar mil homens para as operações, no início de 2007. Responsáveis dinamarqueses também anunciaram disponibilidade para reforçar o contingente. A ISAF tem no Afeganistão cerca de 20 mil soldados, metade dos quais (canadianos, britânicos e holandeses) estão envolvidos na expansão a Sul, a qual envolve custos financeiros para os países e, acima de tudo, riscos para os soldados.

O comandante do comité militar da NATO, general Raymond Henault, admitiu ontem, no final de um encontro com o almirante Mendes Cabeçadas (ver página ao lado), que na história da NATO "foi a primeira vez que tropas da aliança estiveram envolvidas em combates directos".

O militar canadiano falava dos efeitos da Operação Medusa, que as forças da aliança (agrupadas em torno da ISAF) lançaram nas duas últimas semanas, numa região próxima de Kandahar, Panjawi, berço do movimento dos talibãs, na década de 90. Os combates causaram 550 mortos entre os rebeldes e 30 na ISAF.

A NATO admite que a liderança da rebelião pertence ao próprio mullah Mohammad Omar, um fanático religioso que, à frente do movimento dos talibãs, se apoderou do Afeganistão em 1996 e, no final da década, criou um regime teocrático, que deu guarida aos extremistas da Al-Qaeda. Após a queda de Kandahar, no final de 2001, o mullah Omar desapareceu.

A pressão da NATO no sul não impede que onde faltem tropas reapareçam rebeldes. Os militantes reagruparam-se no ocidente, após as perdas de Panjawi e a fuga de uma zona de Helmand capturada por alguns dias. Os militares da NATO atribuem a agitação não apenas aos talibãs, mas também a grupos ligados ao tráfico de droga, senhores da guerra insatisfeitos e remanescentes da Al-Qaeda.

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