Massacre no sul do México deixa 20 mortos, incluindo autarca

Grupo armado entrou a atirar no palácio municipal e autarca foi morto quando estava numa reunião de trabalho.
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O autarca da comunidade de San Miguel Totolapan, no estado mexicano de Guerrero, no sul do país, e outras 19 pessoas foram assassinadas num ataque esta quarta-feira, informou o Ministério Público estadual.

Conrado Mendoza, do Partido da Revolução Democrática (PRD, esquerda), estava no palácio municipal quando foi atacado por homens armados a plena luz do dia.

Ricardo Mejía, subsecretário de Segurança Pública, avançou, em conferência de imprensa, informações que dão conta de "20 vítimas, incluindo o prefeito do município e o seu pai", que também foi prefeito de San Miguel Totolapan.

O secretário-geral da autarquia de San Miguel Totolapan, Freddy Vázquez, disse à imprensa que um grupo armado entrou a atirar no palácio municipal e que o prefeito foi morto quando estava numa reunião de trabalho "numa casa", também invadida.

Está a decorrer uma "operação para localizar e deter os responsáveis pelo ataque armado", informou em comunicado a Coordenação para a Construção da Paz, organismo com a presença de autoridades estaduais e federais.

O PRD condenou o "assassinato covarde" do prefeito. "Exigimos justiça, basta de impunidade", refere a mensagem do partido.

A governadora de Guerrero, Evelyn Salgado, do partido Movimento Regeneração Nacional (Morena, em espanhol, do presidente Andrés Manuel López Obrador), também condenou o ataque e prometeu uma investigação rápida. "Não haverá impunidade diante da agressão contra o prefeito", afirmou.

De acordo com um balanço da consultoria Etellekt, com a morte de Mendoza o México regista 94 autarcas assassinados desde o ano 2000.

Os criminosos, segundo a imprensa local, integram o grupo 'Los Tequileros', do estado de Jalisco, a oeste, aliados do poderoso cartel Jalisco Nova Geração.

A fachada do palácio municipal de San Miguel Totolapan ficou com dezenas de marcas de tiros.

O grupo 'Los Tequileros' atuou na região há alguns anos, em particular com sequestros para pedidos de resgate, mas a sua influência decaiu a partir de 2018, após a morte de um dos seus líderes num confronto com a polícia.

Segundo a imprensa, mensagens circularam na comunidade há alguns dias com ameaças de que o grupo iria regressar a San Miguel Totolapan.

Após o ataque, os acessos à localidade, de cerca de 4.300 habitantes foram bloqueados com camiões e autocarros.

Há mais de duas décadas que o estado mexicano de Guerrero, na costa do Pacífico e um dos mais pobres do país, é abalado pela violência de grupos rivais que tentam controlar o tráfico de drogas e o cultivo de papoila e cannabis.

O México regista mais de 340.000 assassinatos, a maioria atribuídos às organizações criminosas, desde o início de uma polémica ofensiva militar de combate ao narcotráfico em dezembro de 2006.

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