A ministra da Saúde, Marta Temido, admitiu esta segunda-feira que é preciso melhorar o combate à pandemia de covid-19, mas assegurou que o governo não está "a correr atrás do prejuízo".."É preciso melhorar o processo que temos em mãos e é isso que não desistimos de fazer. Não estamos a correr atrás do prejuízo", afirmou Marta Temido numa audição na comissão parlamentar de Saúde em resposta a críticas de Ricardo Baptista Leite, deputado do PSD..O deputado, que também é médico, afirmou que está a viver-se "a crise sanitária mais trágica dos últimos 100 anos" e que todos sabiam que "esse período triste da História coletiva" poderia ocorrer e que "era necessário ter evitado".."Nós alertámos desde março do ano passado que a falta de preparação teria um custo humano tremendo, que infelizmente se verificou com a brutal mortalidade no nosso país", disse o deputado, acrescentando: "muitos têm sido os especialistas que têm dito que um dos nossos problemas é que temos andado sempre a correr atrás do vírus ao invés de estarmos um passo à frente".."Não há dúvidas de que todos estarão a fazer o seu melhor, mas parafraseando Winston Churchill a verdade é que neste tipo de crises não basta fazer o melhor, é preciso fazer o que é exigido, e mais do que apontar os erros do passado é aprender com esses erros para podermos andar para a frente e evitar que se repitam", defendeu Ricardo Baptista Leite..Em resposta, a ministra da Saúde lembrou que se está a lidar com "factos novos" relativamente aos quais, seja em termos de combate à pandemia ou em termos de organização de processos vacinais, se estão a "aprender muitas coisas à medida que se vão fazendo".."E a falta de consenso relativamente a alguns temas mesmo entre os cientistas é paradigmática disso. Aquilo que muitas vezes dizem que é o desnorte do Governo e que são questões, como a utilização da máscara ou a não utilização da máscara, tiveram entendimentos técnicos distintos", salientou, apontando ainda outras situações como a utilização mais massiva ou menos massiva dos testes..As críticas de Ricardo Baptista Leite também foram refutadas pela deputada socialista Sónia Fertuzinhos, que começou por dizer que está de acordo com o médico quando diz que "não basta fazer o melhor, mas o que é exigido, citando como fez Winston Churchill". Dirigindo-se a Batista Leite, Sónia Fertuzinhos disse que "não é apenas o Governo que está obrigado a fazer o que é exigido, é também a Assembleia [da República], são também os responsáveis políticos". "Não deixa de ser extraordinário que o PSD sobre, por exemplo, o plano de vacinação seja incapaz de fazer esta simples conta: todas as vacinas que chegaram a Portugal estão a ser administradas", tendo sido já inoculadas 415 mil vacinas, adiantou.."As que sobram, senhor deputado, tem a ver com a opção do Governo português de garantir que quem tem a primeira toma também tem a segunda toma. E, portanto, é importante dizer isso aqui (...) porque os portugueses precisam de ter confiança no plano de vacinação e no trabalho que está a ser feito pelo Serviço Nacional de Saúde", disse a deputada socialista, adiantando que "o ritmo de vacinação em Portugal, tendo em conta as vacinas que chegam da Europa, está a correr a um ritmo positivo, que permite dizer que o plano de vacinação está a correr, mas de facto o PSD parece que corre atrás de tudo o que corre mal"..Marta Temido adiantou ainda que "Portugal conseguiu que tudo estivesse a funcionar para que as primeiras doses de vacina fossem inoculadas". "Que seria de nós se tivéssemos estado sete dias como os holandeses à espera de termos os sistemas de informação prontos para vacinar", salientou a ministra, acrescentando que "certamente ninguém pediu a demissão do governo na Holanda por causa dessa dilação de tempo, porque as pessoas compreendem que por muito que seja a ambição, a expectativa relativamente a uma determinada circunstância, por vezes ela demora mais tempo a concretizar-se do que aquilo que desejaríamos sobretudo quando estamos a falar de processos novos"..A ministra da Saúde, Marta Temido, afirmou esta quarta-feira que a capacidade da indústria farmacêutica de fazer a distribuição de vacinas contra a covid-19 está aquém das expectativas.."Se é certo que a ciência respondeu e conseguimos ter uma vacina muito rapidamente, se é certo que conseguimos também ter aprovações relativamente às vacinas num período relativamente célere, o que é facto é que a capacidade produtiva destas companhias não está a responder ao nível que desejaríamos", afirmou Marta Temido durante uma audição na comissão parlamentar de Saúde..A ministra salientou que Portugal, que assume atualmente a presidência da União Europeia, tem "uma responsabilidade especial" nesta matéria.."Por isso temo-nos colocado à disposição de todos os Estados-membros e da Comissão (Europeia) para exercer o nosso papel de facilitadores daquilo que são consensos", nomeadamente "ter acesso às vacinas disponibilizadas aos europeus e ao maior número de cidadãos do mundo o mais rapidamente possível"..Questionada pelo deputado do Bloco de Esquerda Moisés Ferreira sobre a questão das patentes, Marta Temido afirmou que "a questão da quebra das patentes é um tema que tem sido muito discutido".."Mas a questão que se coloca é que a quebra das patentes não nos iria resolver o problema de capacidade produtiva e de capacidade industrial e, portanto, quando muito ficaríamos com a possibilidade de ter uma fórmula para fabricar, mas continuaríamos a não ter onde a fabricar e essa é a nossa dificuldade", justificou.."A posição da Presidência [da UE] é sempre uma posição de coordenação e de união e trabalho com aquilo que são os mecanismos de segurança e previsibilidade, que também exigem um relacionamento, por isso temos insistido na colaboração entre várias companhias para suprir falhas", salientou..A ministra explicou que se fossem quebradas as patentes, ficavam com a receita, mas não com o produto. "Só para fazer demonstrações de força, não penso que sirva o melhor interesse dos portugueses e penso que, sobretudo, teria custos no médio e longo prazo muito elevados"..Mas, vincou, "como disse o senhor presidente do Conselho Europeu e vários atores com responsabilidades, não podemos neste momento negar que precisamos de utilizar determinados instrumentos"..Para a ministra, compras autónomas "seria o pior" que poderia acontecer, recordando "aquilo que foi a luta pelos ventiladores".."Não queremos esse caminho, de facto", vincou Marta Temido, sublinhando que "Portugal tem apoiado vivamente, esforçadamente", o mecanismo Covax (mecanismo de acesso mundial às vacinas) e inclusivamente está empenhado no envio também de doses adquiridas pelo país, quando for considerado oportuno e possível em termos técnicos, para países africanos de língua oficial portuguesa..Em Portugal já foram recebidas 503 mil vacinas, 43 mil das quais foram para a Madeira e para os Açores e 460 mil ficaram no continente..Destas 460 mil, já foram administradas 400 mil vacinas, estando em reserva 60 mil..A ministra da Saúde, Marta Temido, justificou hoje a opção de colocar a equipa de médicos militares alemães no Hospital da Luz para apoio à resposta à covid-19 com a possibilidade de poderem trabalhar todos nas mesmas instalações.."Entendemos que o mais vantajoso era que estivessem a trabalhar juntos e num espaço único, daí a opção que foi feita e a colaboração que também foi dada por este prestador para permitir criar essas condições, o que implicou reajustamentos da sua atividade criadas por este prestador", observou..Numa audição na comissão parlamentar de Saúde, a governante disse que "foram avaliadas várias hipóteses" sobre o auxílio alemão, em resposta a uma pergunta do deputado do Bloco de Esquerda Moisés Ferreira, que questionou o porquê da colocação destes clínicos numa unidade privada e não no Serviço Nacional da Saúde (SNS)..Questionada sobre a colaboração entre o SNS e o setor privado, nomeadamente sobre a capacidade que foi disponibilizada, Marta Temido esclareceu que os acordos "mantêm-se sensivelmente estáveis", sustentando-se nas informações existentes até ao final de janeiro.."Havia um total de 981 camas acordadas, mas aqui estão incluídas Forças Armadas, setor social e setor privado, sendo que camas contratualizadas ao setor privado e social nesta altura eram cerca de 745. O diferencial de 236 camas eram do Hospital das Forças Armadas e estruturas congéneres", indicou..Quando confrontada com críticas da deputada do CDS Ana Rita Bessa sobre a estratégia de combate à pandemia, a ministra da Saúde reconheceu as dificuldades, mas reiterou que só se preocupa com as pessoas servidas pelos cuidados de saúde e com os profissionais de saúde.."É muito difícil fazer a coordenação de um sistema de saúde e de um SNS como o nosso, polarizado em tantos níveis de ação. É um tema que merecerá melhor reflexão no contexto que enunciei brevemente no início, com a revisão do estatuto do SNS. É um tema a que temos de voltar", resumiu, sublinhando o "esforço" realizado para trabalhar com as diferentes entidades "para suprir as arestas da comunicação"..Marta Temido fez questão de notar também o "peso gigante sobre os profissionais de saúde", mas não deixou de apelar para a participação na definição de soluções para os atuais problemas.."O poder político e executivo tem uma responsabilidade especial, mas o setor da Saúde é composto por profissionais altamente qualificados, com voz para a construção de melhores soluções. Peço também aos profissionais de saúde que procurem - dentro das suas instituições - encontrar soluções para os problemas e fazer funcionar a máquina. Se todos furarmos a máquina, será uma enorme descoordenação", avisou..Marta Temido revelou também já ter recebido o relatório da Inspeção Geral das Atividades de Saúde (IGAS) sobre a alegada vacinação contra a covid-19 à margem dos critérios estabelecidos no lar de Reguengos de Monsaraz e que "em poucos dias será conhecido"..Em Portugal, morreram 14.354 pessoas dos 767.919 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.