O Sonho da Razão produz monstros, a frase com a qual Francisco Goya, pintor espanhol do século XVII, ilustrou uma das suas obras mais famosas foi recuperada por Luís Miguel Cintra para a peça que acabou de estrear no Teatro da Cornucópia, em Lisboa, onde fica até dia 8 de julho..No palco da pequena sala do Príncipe Real continua-se a pensar criticamente a atualidade a partir de textos de autores consagrados. Desta vez Cintra partiu do Diálogo de um padre com um moribundo, da autoria do Marquês de Sade para compor aquilo a que ele chama "um espetáculo de câmara" para três atores (Luís Miguel Cintra, Leonor Salgueiro e Dinarte Branco)e dois galináceos. Às palavras do "divino marquês" o encenador juntou as de Voltaire, Diderot e Voisenon e criou este "O Sonho da Razão"..Uma rapariga toma conta de um filósofo que parece moribundo. Vem o padre, vem o médico, vampiros tanto do pensamento do velho, como da inocência da moça. A paixão pela Liberdade e pela Razão, o sonho de um pensamento novo e de uma nova humanidade, torna-se pesadelo, povoado por galos e galinhas, evidenciando que no reverso da razão está o caos, as pulsões sexuais, a animalidade mais violenta. E, em tom jocoso reflete-se sobre os valores da chamada"civilização".