Marisa Barros na maratona para recuperar domínio português

Portuguesa lidera  hoje equipa de maratonistas que tenta resgatar o legado de Rosa Mota e Manuela Machado.
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"É uma maratona e está tudo dito!" Marisa Barros faz questão de lembrar a imprevisibilidade da sua participação na maratona feminina, hoje (09.05), no centro de Barcelona. "Tudo pode acontecer. Há imensos factores que poderão influenciar a minha corrida: a preparação, o percurso, as adversárias, o clima… Uma coisa eu sei: Estarei à partida para melhorar o meu sexto lugar dos Mundiais de Berlim 2009."

Muito discreta, a fundista, de 30 anos, é pouco conhecida dos portugueses, mas é já a terceira portuguesa de todos os tempos, depois das campeoníssimas Rosa Mota (2h23m29s) e Manuela Machado (2h25m09s). Por isso, também, é considerada a sucessora das duas fundistas que fizeram da maratona feminina dos Europeus - desde que se disputou pela primeira vez, em Atenas 82, até Budapeste 98 - um quase monopólio português, somando cinco medalhas de ouro.

Esse estatuto não a atemoriza, antes pelo contrário, até a estimula. No circuito de quatro voltas com partida e chegada no Passeo Picasso, no Parque da Cidadela da capital da Catalunha, a atleta de Sanfins de Ferreira procura a sua primeira medalha em grandes competições internacionais, que a possa aproximar daquelas que foram as carreiras das duas melhores maratonistas portuguesas.

Há um ano, no Mundial de Berlim, a pupila de António Ascensão - o treinador que acreditou nas suas capacidades e maratonista mas que apenas lhe prometeu "muito trabalho" - surpreendeu a concorrência com um sexto lugar, a melhor europeia. Antes, realizara um sonho de criança, ao participar nos Jogos Olímpicos em Pequim. "A Marisa Barros tem um perfil de maratonista só comparável, em Portugal, a Rosa Mota. Estamos a construir uma carreira de forma progressiva e sustentada. Este Europeu é mais um passo importante", acrescenta o técnico, que desde os anos 80 tem treinado inúmeras campeãs.

Há quatro anos, Marisa Barros decidiu deixar a fábrica de calçado e arranjar um emprego em part-time num restaurante, para poder treinar-se duas vez por dia. Os resultados foram surgindo e acabou por se dedicar a tempo inteiro ao atletismo. "Sou uma mulher como outra qualquer, que tem diariamente os afazeres domésticos, como cozinhar, fazer compras para a casa e limpezas. Sou eu que faço tudo", assume.

Em Barcelona, diz que irá seguir no grupo da frente, mas discretamente, como é a sua personalidade. "Sem dar nas vistas. Deixar correr o ritmo e tentar seguir as primeiras", revela, para acrescentar que não irá entrar em "estratégias colectivas", apesar de Portugal apresentar uma equipa - Fernanda Ribeiro, Ana Dias, Mónica Rosa e ela própria - para a Taça da Europa de maratona.

Poucos acreditavam que a jovem saltadora, de 21 anos, conseguisse chegar à final do triplo salto de hoje (18.10). A verdade é que Patrícia voltou a bater o seu próprio recorde nacional, nas qualificações, com a marca de 14,12 metros, suplantando a marca estabelecida em Junho, em Eugene (14,01), onde se sagrou campeã universitária dos EUA.

Muitas expectativas estão também criadas à volta da meia-final dos 4x100 metros, às 09.15, com a presença do quarteto português - Francis Obikwelu, Arnaldo Abrantes, Yazalde Nascimento e Ricardo Monteiro -, que tem expectativas até de lutar pelas medalhas em Barcelona.

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