Marcelo avisa a esquerda: quer manter "sem hesitações" aposta na UE

Novo Presidente da República recebeu no Palácio da Ajuda diplomatas estrangeiros acreditados em Lisboa
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Num momento em que Portugal tem um governo apoiado em dois partidos anti-Europa, Marcelo Rebelo de Sousa afirma que a "aposta" do país na UE deve prosseguir "de forma resoluta e sem hesitações".

Falando no Palácio da Ajuda, onde recebeu o corpo diplomático acreditado em Portugal, o novo Presidente da República explicou que essa aposta se deve manter porque até agora "foi fundamental para o nosso desenvolvimento económico e social", tornando Portugal hoje num país "com um dos mais elevados índices de desenvolvimento humano das Nações Unidas".

Segundo prosseguiu, a aposta de Portugal na UE "assenta numa ambição maior e que vai muito além dos aspetos materiais, por muito importantes que sejam". "Portugal viu sempre na integração europeia, na coesão, na solidariedade e na democracia um modelo para a nossa própria sociedade. Estivemos por isso sempre na primeira linha dos que ambicionam uma UE mais avançada, mais harmoniosa, mais unida e com um papel mais coeso na ordem mundial".

O PR deu aos diplomatas uma verdadeira aula sobre o enquadramento legal e institucional da política externa portuguesa, garantindo: "Mudam os governos, mudam os presidentes mas não muda a política externa."

Prometeu-lhes por outro lado que manterá com eles contactos regulares, em organizações feitas "conjuntamente com o senhor ministro dos Negócios Estrangeiros". "Tentarei sempre aprofundar a relação de colaboração frutuosa com o Governo e com a Assembleia da República", disse ainda Marcelo - que aliás convidou para a cerimónia o presidente do Parlamento e os presidentes das comissões de Negócios Estrangeiros, Assuntos Europeus e Defesa.

O novo Presidente da República assumiu perante a comunidade diplomática sediada em Lisboa que não irá "desapontar" quem espera que, conhecendo-lhe a "espontaneidade, informalidade e afetividade", "quebre um pouco o protocolo".

O exemplo que deu foi o facto de ter levado à cerimónia da Ajuda três convidados especiais, os atletas Francis Obikwelu, Naide Gomes e a fadista Marisa - que têm "levantado bem alto a bandeira de Portugal pelo mundo fora". Fê-lo para significar que "os portugueses dão-se bem na diversidade" e "isto implica dar-se bem na tolerância" e "abertura aos outros e respeito pelos outros", marca de "cosmopolitismo" e "sentido ecumémico".

Marcelo aproveitou ainda para fazer campanha pela eleição de António Guterres para secretário-geral da ONU. Considerando-o, numa "nota pessoal", "o vulto mais brilhante da nossa geração", disse que esta é "uma candidatura a favor de todos" e "congregadora". "António Guterres será um brilhante secretário-geral das Nações Unidas, valorizará a ONU e fará com inteligência e capacidade que todos lhe reconhecem a ponte entre todas as nações".

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