Mais um belo filme do cinema iraniano

O VENDEDOR Asghar Farhadi
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É mesmo verdade que existe uma fascinante via realista no interior do cinema iraniano. Podemos defini-la a partir dos trabalhos de dois grandes cineastas como Abbas Kiarostami e Jafar Panahi, mas também através dos emblemáticos filmes de Asghar Farhadi: Uma Separação (2011), O Passado (2013) e, agora, O Vendedor, distinguido em Cannes com os prémios de interpretação masculina (Shahab Hosseini) e argumento (do próprio Farhadi).

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Tal como nos títulos anteriores, trata-se de observar a crise de um casal, neste caso atores a trabalhar em Teerão numa encenação da peça Morte de um Caixeiro Viajante, de Arthur Miller. A sugestão de um jogo de espelhos entre vida vivida e vida representada é imediata, gerando-se uma teia de acontecimentos em que os elementos mais obscuros podem ser também, paradoxalmente, os mais reveladores. Sempre com uma delicada atenção ao papel social e simbólico das mulheres, Farhadi é um cineasta de uma psicologia sem psicologismos, particular nos elementos culturais que convoca, universal na sua capacidade de envolvimento.

Classificação: **** muito bom

Diário de Notícias
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