Maioria sente-se segura mas quer mais policiamento

70% dos portugueses dizem estar seguros na sua zona, mas 51% acham o País inseguro. O crime que mais vítimas fez foi ... a injúria. O tráfico de droga é o que mais preocupa
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O maior inquérito à vitimação alguma vez realizado no nosso país - com uma amostra de 8729 inquiridos em todo o território - chegou a conclusões muito positivas para as políticas de segurança do Governo. O estudo, pedido pelo Ministério da Administração Interna (MAI) foi coordenado pelo professor universitário do ISCTE, Paulo Pereira de Almeida, vice-presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), cujo fundador foi o ministro Rui Pereira.

De acordo com a súmula de resultados ontem divulgados - não houve acesso ao estudo completo - 70, 5% dos portugueses sentem- -se seguros na zona onde residem. Positivo também para a estratégia do Executivo é a constatação que mais de metade (51,2%) vê polícias na zona onde mora quase todos os dias ou mais de uma vez por semana.

Porém, quando lhe foi perguntado que políticas de segurança deviam ser executadas, quatro das cinco sugestões que foram mais respondidas implicam um reforço de policiamento. Aumentar o número de polícias, o controlo e fiscalizar a utilização de armas, o número de acções policiais e os patrulhamentos-auto.

O sentimento de insegurança é diferente quando se trata da percepção que os portugueses têm do País. Neste caso, mais de metade (56,6%) dizem sentir-se inseguros ou muito inseguros.

O presidente do OSCOT, José Manuel Anes, diz que gostaria de ter visto também resultados "à semelhança do que se faz neste género de inquéritos na Europa, sobre o sentimento de insegurança na própria residência e como este se altera na rua".

Distrito a distrito, são enormes as disparidades entre o que as pessoas sentem em relação à sua zona e ao País. O deputado do PSD Jorge Bacelar Gouveia, ex-presidente do OSCOT, entende que o inquérito é "inconsistente do ponto de vista metodológico" pois devia ser feita uma análise "mais aprofundada distrito a distrito, dada as grandes disparidades reveladas". Por outro lado, "os resultados não coincidem com o que se sente no dia-a-dia". "Eu falo com pessoas, sobretudo no Algarve, por onde fui eleito, e não é esta dimensão de sentimento de segurança que se vê e que se ouve dizer."

Cruzando estas percepções com a evolução da criminalidade participada em 2009, esta semana divulgados (ver mapa), é evidente o maior sentimento de insegurança, em relação à zona onde residem, nos distritos onde foi reportada mais criminalidade, como Lisboa, Porto e Setúbal. Neste último é gritante o sentimento de insegurança.

Apesar de Setúbal ter sido o distrito com a maior redução de criminalidade em 2009 (menos 7,6%), menos de metade admitem sentir-se seguros na sua zona de residência (49,3) e apenas 4,4% dizem que sentem segurança em Portugal. Nuno Magalhães, deputado do CDS-PP por este distrito, considera que os dados "confirmam bem o estado de insegurança" que vivem os setubalenses. Este inquérito foi feito entre Novembro de 2008 e Junho de 2009, depois, portanto, do Agosto "quente" de crimes violentos, que muito atingiu Setúbal.

Dos inquiridos, apenas 9,18% afirmaram ter sido vítimas de um crime. Os "insultos ou injúrias à sua pessoa" foram os mais referidos,sendo que 87% destas "vítimas"nem sequer os reportaram às autoridades. Roubo de telemóvel e furtos em estabelecimentos comerciais ou em viaturas foram a seguir os crimes mais mencionados.

O tráfico de droga surge como a principal preocupação, a nível nacional, com a segurança. Um receio que coincide com um ano em que as apreensões de droga diminuíram drasticamente, segundo o relatório de segurança interna, embora tenham aumentado as detenções. O carjacking é o segundo crime que mais preocupa os portugueses (que reduziu 30% em 2009), seguido dos furtos em estabelecimentos comerciais, roubos em geral e assaltos a estabelecimentos comerciais. Os gangues são a sexta preocupação.

Apesar de fazerem parte do inquérito, os resultados da Madeira e Açores não foram divulgados.

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