População sem água canalizada dois dias após passagem de tufão

O Governo estabeleceu oito pontos temporários, que consistem em bocas-de-incêndio com torneiras, onde a população pode ir buscar água
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Dois dias após o tufão Hato interromper o abastecimento de água em Macau, baldes, bidons e garrafas tornaram-se objetos comuns nas mãos da população que recorre a bocas-de-incêndio e distribuição de garrafas na rua para suprir necessidades urgentes.

Com grande parte da população ainda sem água canalizada e com as garrafas praticamente esgotadas nos supermercados e cafés, o Governo estabeleceu, na quinta-feira, cinco pontos temporários onde as pessoas podem ir buscar água, que foram hoje alargados para oito. Estes pontos de abastecimento -- complementados pela distribuição itinerante de água feita por dois camiões -- consistem essencialmente em bocas-de-incêndio, com torneiras.

Um destes pontos está na zona dos Três Candeeiros, um dos centros nevrálgicos da cidade, onde estava também um grupo de cerca de 20 voluntários a distribuir pequenas garrafinhas com o rótulo da Sands, uma das operadoras de jogo de Macau.

Ieng Weng Fat, da Associação Geral dos Chineses Ultramarinos, era um dos voluntários que participava na iniciativa organizada pela Fundação Macau.

O grupo ficou "muito surpreendido" com o reduzido tamanho das garrafas. "Gostaríamos que fossem de um litro, quando a Sands as enviou decidimos imediatamente que daríamos três garrafas por pessoa", contou à Lusa.

Os voluntários tinham 3.000 garrafas e esperavam, portanto, 'abastecer' cerca de mil pessoas. Em cerca de uma hora, Ieng distribuiu quase metade do 'stock'.

"A maioria das pessoas diz 'obrigada' mas algumas dizem que é pouco, queriam mais. A algumas pessoas damos mais, quando têm bebés", descreveu.

Ieng, que vive em Macau há 40 anos, diz conhecer bem aquele bairro, onde "a vida é muito difícil".

Apesar da preocupação, o voluntário disse que as pessoas que ali vão buscar água, e que com ele trocam umas palavras, têm-se mostrado compreensivas com a demora do reabastecimento.

"Estão à espera. O Governo está sempre a enviar mensagens a dizer que está a reparar a bomba. Agora já há muitos bairros com abastecimento de água. Eles têm esperança, claro", disse.

Ainda que Ieng não tenha, ele próprio, água em casa -- "nem sequer na casa de banho, para puxar o autoclismo" -- considera o que se passou "um acidente". "Aconteceu uma vez em 50 anos, ninguém teve esta experiência. Mas claro que o Governo pode fazer melhor, deve pensar nos cidadãos de Macau, no seu futuro, isto é muito importante", afirmou.

Ao contrário do que se passou na quinta-feira, pelas 16:00 (09:00 em Lisboa) não se verificavam filas junto à boca de incêndio, mas o seu uso era quase constante, com os moradores da zona a encherem todo o tipo de garrafões e baldes.

Nos supermercados e lojas há muito que as garrafas de água desapareceram das prateleiras, bem como outros bens perecíveis. Além da procura intensa, algumas das zonas de congelados e frescos estavam também a ser hoje esvaziadas, possivelmente por receio do impacto do corte energético na qualidade dos alimentos.

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