A equipa de Sérgio Monteiro tem agora, apenas, algumas semanas para levar a Lone Star a melhorar a proposta de aquisição do Novo Banco. Depois de Mário Centeno ter dito, em entrevista ao DN e à TSF, que o governo não aceitava dar garantias de Estado neste negócio, ficou evidente que a proposta do Banco de Portugal para vender aos norte-americanos não ia avançar. Agora, os cinco que assinaram o acordo de confidencialidade (Lone Star, Apollo, China Minsheng, BCP e BPI) estão todos novamente na corrida, mas isso é apenas no plano teórico, na prática a corrida vai fazer-se entre a Lone Star e a Apollo, com favoritismo para os primeiros, que já anunciaram a disponibilidade para retirar o pedido de garantias de Estado..A China Minsheng não conseguiu apresentar a prova de fundos que cobrissem a sua oferta e é duvidoso que o consiga fazer no pouco tempo que resta. Já os bancos portugueses não manifestaram intenção de reentrar na corrida..A data de 4 de janeiro para finalizar esta fase do processo foi sugerida pela equipa de negociação portuguesa, quando marcou o dia 4 de novembro como limite para apresentar propostas vinculativas, válidas por 60 dias. Posteriormente, a Lone Star tornou público que a sua proposta deixava de ser vinculativa no fim desse prazo. Essa foi, aliás, a razão para a equipa de Sérgio Monteiro e o Banco de Portugal escolherem o fundo norte-americano, mesmo sabendo que o governo não aceitaria propostas que exigissem garantias de Estado. Com esta estratégia garantiram que a Lone Star não saía do processo. Não é coisa pouca, já que neste momento a Lone Star é a única que tem uma proposta totalmente vinculativa..Os negociadores e o Banco de Portugal estão apostados em retirar os constrangimentos das propostas ainda em jogo para poderem fechar com uma vitória, de Pirro que seja, este dossiê. Se houver pelo menos uma proposta totalmente vinculativa e que cumpra a carta de compromisso, e o valor financeiro da proposta for o único entrave, então aí a decisão é exclusivamente política..Falhada a segunda tentativa, com o prazo de agosto a condicionar o negócio, desta vez não haverá uma terceira tentativa, o governo permitiu apenas um prolongamento da negociação. O destino do Novo Banco reentra no debate político..PCP quer votar nacionalização.O PCP vai obrigar o Parlamento a votar a nacionalização do Novo Banco, depois de ontem ter anunciado que vai avançar com um projeto de resolução que mantém o antigo BES no Estado. O deputado Miguel Tiago explicou que "o PCP não rejeita as propostas que estão em cima da mesa. O PCP rejeita a possibilidade de entrega do Novo Banco a privados, seja eles quais forem", defendeu. "Já pagámos pelo Novo Banco, era o que mais faltava que agora ficassem com ele por uma bagatela", apontou o deputado comunista. E entregar o banco a privados "significaria que mais de 60% do capital bancário seria detido por grupos estrangeiros"..PSD e CDS não largam a Caixa.Também ontem, no Parlamento, PSD e CDS pediram ao presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, para alargar o objeto da comissão de inquérito da CGD ao processo de reestruturação e recapitalização do banco público. O deputado Hugo Soares, do PSD, deixou um aviso à maioria parlamentar de esquerda: "Quem quiser impedir este alargamento do objeto só pode ter um objetivo: esconder dos portugueses o que está a acontecer na CGD." Com Miguel Marujo