A Câmara de Lisboa quer isentar de IMT os jovens até 35 anos que comprem casa para habitação própria permanente até 250 mil euros, num benefício máximo de 8322 euros, segundo a proposta de orçamento municipal para 2023 a apresentada esta terça-feira. Esta medida representa um investimento de 4,5 milhões, valor que reflete a receita fiscal arrecadada no passado pela autarquia na cobrança do IMT a jovens até 35 anos..De acordo com o vice-presidente da Câmara de Lisboa, Filipe Anacoreta Correia, que também tem a pasta das Finanças, "cerca de 35% das operações imobiliárias em Lisboa são protagonizadas por menores de 35 anos", sendo que a Autoridade Tributária confirma de que, "entre estas operações, aquelas que são de transação, de aquisição de casa, cerca de 45% tem um valor igual ou inferior a 250 mil euros". "É uma medida que anunciei, sempre quis ter e espero que consiga ter já no próximo ano", declarou, por seu turno, Carlos Moedas, no final da apresentação do documento..O investimento geral na área da habitação para 2023 é de 122 milhões de euros - um aumento "expressivo" de 40% em relação aos 87 milhões orçamentados para este ano -, que será expresso em vários projetos, como a criação de novos fogos para a classe média, nomeadamente através do programa Renda Acessível..Outra das apostas da Câmara de Lisboa são os parques de estacionamento dissuasores, estando prevista a construção de cinco entre 2023 e 2026 - Pontinha Norte, Pontinha Sul, Lumiar/Azinhaga, Braço de Prata e Cidade Universitária -, o que representa um investimento de 17 milhões de euros. "Os parques dissuasores são para mim uma prioridade na mobilidade e, portanto, pedi para que esse investimento já ali estivesse. Obviamente que isto não se faz de um dia para o outro, há uns que estão mais adiantados do que outros. Por exemplo, na Cidade Universitária ou no Lumiar podemos começar rapidamente", referiu o presidente da Câmara de Lisboa..Ainda na área da mobilidade - que tem um investimento total previsto de 186 milhões de euros entre 2023 e 2026 - está incluída uma verba de 60 milhões para a expansão da rede de elétricos, com destaque para o alargamento da linha 15 a Santa Apolónia e à Cruz Quebrada, mas também a adjudicação de 109 milhões para a compra de 88 novos autocarros para a Carris em 2023, num total de 342 até 2026. A mobilidade suave terá uma verba de três milhões de euros (mais 50%) e inclui um reforço da rede GIRA com mais 29 estações e mil novas bicicletas..A higiene urbana, que tem sido alvo de notícias negativas para a autarquia neste último ano, tem uma dotação prevista de 32 milhões de euros (mais 60%) para 2023 e inclui o peso da contratação feita este ano de 200 trabalhadores, mas também a compra de 18 novas viaturas. Já no que diz respeito à segurança, haverá um investimento de 7,3 milhões em câmaras de videovigilância e a contratação de 50 agentes da polícia municipal, número que a autarquia espera que chegue aos 150 até ao final do mandato..Nos planos da câmara está também a intervenção em 26 creches e escolas do 1.º ciclo de Lisboa, com um orçamento previsto para o próximo ano de 30 milhões de euros (uma subida de 25%), inserido num plano de 107 milhões entre 2022 e 2026. No que diz respeito a centros de saúde, prevê-se um investimento em 2023 de 10,5 milhões (mais 48% face a 2022), estando prevista a conclusão no próximo ano das obras do Centro de Saúde de Sapadores/Graça e o início das intervenções nos centros de saúde do Beato, Ribeira Nova e Telheiras. O investimento entre 2022 e 2026 neste campo é de 28,6 milhões de euros..A proposta de orçamento municipal para 2023 propõe uma despesa de 1,3 mil milhões de euros, com a perspetiva de "crescimento do investimento em cerca de 15%", podendo chegar aos 455 milhões de euros. "Penso que tenho demonstrado que estou aqui para conseguir consensos. Não sou o presidente da fricção e sou capaz de trabalhar com todos. Os partidos têm sido ouvidos. Vamos levar isto a reunião de Câmara e, portanto, estou aberto a sugestões e melhorias", defendeu Carlos Moedas..ana.meireles@dn.pt