Lisboa foi classificada com "muito mal" no indicador de automóveis elétricos partilhados e com "mal" no uso de autocarros de emissões zero num estudo europeu, ontem divulgado pela associação Zero, no qual foi feito o ponto de situação em 42 cidades da Europa, no que diz respeito à mobilidade partilhada e de emissões zero, divididas por quatro indicadores. Em termos gerais, a capital portuguesa obteve uma classificação geral de 49,8% estando em 10.º lugar, sendo que apenas as primeiras seis cidades, encabeçadas por Copenhaga, obtiveram uma avaliação positiva..A pontuação obtida por Lisboa, a única cidade portuguesa presente no estudo, preocupa a Zero pois "denota um contínuo foco na individualização dos transportes urbanos" e que, "tal como outras cidades europeias, não se está a preparar para uma mobilidade sustentável". De referir que Lisboa ficou em 33.º nos autocarros de emissões zero e em 41.º (penúltimo lugar) no indicador dos automóveis elétricos partilhados.."Em relação aos autocarros de emissões zero em Lisboa, a Carris, aquando do fecho do estudo (no final do primeiro trimestre de 2023), apenas possuía na sua frota 15 autocarros elétricos, ou seja, 2,3% do total da frota, o que compara com cerca de duas dezenas de cidades que no estudo que têm mais de 10% da sua frota de autocarros eletrificada", refere a Zero, acrescentando que "é um valor baixo, contudo, é de realçar, o investimento anunciado pela operadora em novos autocarros elétricos até 2026, o que permitirá melhorar significativamente esta situação"..A associação ambientalista lamenta ainda que Lisboa não tenha atualmente nenhum serviço de automóveis elétricos partilhados..Por outro lado, Lisboa destaca-se positivamente pela ampla oferta de trotinetas e bicicletas partilhadas, onde surge na segunda posição, classificação que merece o aplauso dos ambientalistas, mas também chamadas de atenção. "A Zero enaltece a boa classificação de Lisboa em termos de bicicletas e trotinetas partilhadas, mas mostra-se preocupada na medida em que a mobilidade numa cidade como Lisboa tem e estar estruturada em torno dos meios tradicionais de transporte público. Embora, a mobilidade suave seja importante no transporte urbano, é um complemento ao transporte público tradicional e não um substituto, e não pode servir para tapar buracos do transporte público nem para evitar o investimento em infraestruturas ou em meios de transporte, sendo que é disto, sobretudo, que a cidade carece.".Comentários que seguem a mesma linha em relação à infraestrutura de carregamento de veículos elétricos privados, indicador no qual Lisboa surge no sexto lugar. "É de saudar os bons resultados, mas não deve servir para perpetuar o uso do veículo individual na cidade em detrimento do uso do transporte público coletivo e dos meios de mobilidade suave. Os automóveis elétricos reduzem as emissões, mas há importantes desafios relacionados com uma ampla e densa rede de carregamento em meio urbano, com o congestionamento nas cidades e com a ocupação de espaço de estacionamento nas ruas que poderia servir para atividades mais nobres", prossegue a Zero..Este estudo foi feito no âmbito da Campanha Cidades Limpas, uma coligação de associações europeias da qual a Zero faz parte, e que tem como objetivo intensificar o combate às alterações climáticas, à poluição do ar e à carência de mobilidade, pretendendo atingir uma mobilidade urbana perto das zero emissões até 2030, medindo os resultados das cidades analisadas numa escala de 0 a 100%..Copenhaga foi a cidade mais bem classificada, com uma pontuação de 86,5%, seguida de Oslo (81,3%) e Paris (69,5%), cidades que já ocupavam o top cinco da análise efetuada no ano passado. No fundo da tabela está a área metropolitana de Manchester (8,3%), antecedida de Dublin (8,8%). De referir ainda que 36 das 42 cidades europeias avaliadas apresentam uma classificação C, como Lisboa, ou pior na escala de classes, de A a F..Para a Zero, este estudo "permite concluir que não só Lisboa, mas todas as cidades analisadas precisam de fazer melhorias significativas no seu sistema de transportes para conseguirem alcançar uma mobilidade com emissões zero até 2030". Falando especificamente sobre a capital portuguesa, a associação ambientalista "recomenda que a cidade estabeleça um objetivo claro no que diz respeito ao sistema de mobilidade urbana e que acelere a implementação de medidas no setor dos transportes com vista" a este objetivo..ana.meireles@dn.pt