Ligação de 7 anos de José Sá com a seleção premiada com titularidade

Guarda-redes do Wolverhampton será o 59.º a defender a baliza nacional. Roberto Martínez quer nona vitória seguida da seleção diante do Liechtenstein, quinta-feira, às 19.45, RTP1. Totalista Rúben Dias quer sonhar com o troféu, mas com pés assentes na terra.
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Roberto Martínez vai entregar a baliza de Portugal a José Sá diante do Liechtenstein (quinta-feira, 19.45, RTP1), no penúltimo jogo do apuramento para o Euro 2024, prova para a qual a seleção já se apurou. O guarda-redes do Wolverhampton será assim o 59.º nono dono da baliza nacional e acrescentará o seu nome à lista dos internacionais portugueses - com ele serão 634, desde 1921.

"Ele merece. É um exemplo de trabalho e motivo de orgulho ter um jogador como o José Sá. Uma pessoa que está há sete anos. E agora vai poder jogar", elogiou o selecionador nacional, lembrando que Rui Patrício jogou os dois primeiros jogos e Diogo Costa os últimos seis. Também por isso "é importante" o José Sá fazer parte deste apuramento: "O Diogo Costa ficou muito feliz, tal como o Rui Patrício. Têm todos muito boa relação. Tenho orgulho no nosso balneário."

Já Raphaël Guerreiro está apto e pode até ser titular. E Cristiano Ronaldo? "Sabemos que os adeptos gostam muito da seleção e temos todos os jogadores preparados. Dizer se o Cristiano Ronaldo vai ou não ser titular não é importante. Ele está preparado, treinou muito bem. Temos 22 jogadores para os dois jogos e vamos dar minutos", respondeu o técnico, perante a insistência dos jornalistas e, provavelmente, sem saber que os vizinhos imigrantes portugueses na Suíça se queixam de nunca o ter visto, nem em jogos particulares.

O capitão é o segundo melhor marcador da fase de qualificação, com nove golos, apenas atrás do belga Romelu Lukaku (10). Mas ajudar Ronaldo a ser o melhor marcador da qualificação não é um objetivo: "Chegar a um feito individual é consequência do trabalho de equipa. Gostei muito do jogo contra o Luxemburgo [Ronaldo não jogou e Portugal goleou, 9-0], em que fomos muito consistentes. Se fizermos isso como equipa, os jogadores vão ter um bom desempenho individual. Mas não é um objetivo."

O "compromisso" da equipa tem de ser com a vitória, segundo o selecionador. Até porque "o balneário está cheio de qualidade individual" que ele tem de bem utilizar para dar seguimento ao registo perfeito: "Lutar pela nona vitória é objetivo suficiente. Os jogadores não têm muitas oportunidades de ter 9, 10 vitórias seguidas. É um objetivo que envolve muito esforço. Este jogo servirá para crescer, para sermos uma equipa melhor. Será um jogo de grande dificuldade, com um bloco baixo, contra uma equipa que luta muito e tem o orgulho de jogar em casa."

A seleção tem sofrido várias baixas entre os 26 eleitos - Pepe, Rafael Leão, Nelson Semedo, Diogo Dalot e Matheus Nunes já em pleno estágio. Nada que preocupe o técnico espanhol: "Há muitos jogos, muitas competições, e as lesões são normais. Tivemos 33 jogadores no total dos últimos quatro estágios. Não há problema. Gostei muito do comportamento dos jogadores nos treinos. Estamos preparados."

Antes do selecionador ser obrigado a chamar o portista João Mário para o lugar de Dalot (foi dispensado para assistir ao nascimento da filha), a grande novidade da alista era Bruma, já com nove internacionalizações, mas que não era chamado desde 2019. "É um jogador com uma alegria e um sorriso contagiante. Trabalhou muito. É um jogador muito interessante para nós, depois de perdermos o Rafael Leão", defendeu Martínez.

Rúben Dias é o único totalista português deste apuramento. Só ele jogou todos os 720 minutos dos oito jogos até agora realizados e nada faz prever que vá descansar hoje. "É motivo de orgulho. Monstra a confiança do treinador no meu trabalho, fico feliz por isso", admitiu o defesa central, lembrando que a equipa tem "a ambição de poder tornar este apuramento histórico, o que, afinal de contas, torna o momento especial".

E com o apuramento garantido é difícil não pensar já no Campeonato da Europa. "O sonho não tem data para começar nem para terminar. É um sonho permanente de quem é português. Temos qualidade suficiente para sonhar cada vez que temos uma nova competição pela frente. Sonhar sempre, com os pés assentes no chão, porque senão qualquer sonho pode ficar desmedido", avisou Rúben Dias (26 anos), que sem os lesionados Pepe e Danilo, é o central mais velho, à frente de António Silva (20), Gonçalo Inácio (22) e Toti Gomes (24), que também se pode estrear hoje.

isaura.almeida@dn.pt

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