O dia da presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) começou no mercado da Achada de Santo António e continuou depois no do Platô, o principal da cidade da Praia, onde foi recebida ao som das batucadeiras de Nova Alegria, da Calabaceira. .Acompanhada da presidente da Federação das Mulheres do PAICV, Eva Ortet, e de outras dirigentes do partido, Janira Hopffer Almada passeou pelo mercado, parando em todas as bancas e abraçando as vendedoras, animadas com o som das mulheres do batuque..À margem da visita, Janira Hopffer Almada falou aos jornalistas para dizer que é preciso "continuar a lutar pela dignidade da mulher".."Quisemos estar com as mulheres que mais precisam: que são chefes de família, que enfrentam muitas dificuldades financeiras e também muitos desafios", disse..A líder do PAICV defendeu "ações concretas" para ajudar estas mulheres porque, ao ajudá-las, serão criadas condições para ajudar a sociedade cabo-verdiana.."Todas têm filhos, todas dão um contributo para a economia do país", referiu..Janira disse depois sonhar com o dia em que a igualdade em Cabo Verde "permita às mulheres chegar ao poder".."Há muitos discursos, mas muita discriminação e muitas barreiras para que as mulheres participem de facto nos órgãos de decisão e na tomada de decisões", adiantou..A presidente do PAICV preconizou, por isso, "um trabalho forte na mentalidade".."Nós, as mulheres, temos de começar a acreditar que podemos mais e podemos fazer melhor. É um trabalho que temos de fazer connosco próprias e com a sociedade por consequência", declarou..E questionou: "Porque é que, neste momento, temos tão poucas mulheres no Parlamento, no Governo, quase que não temos mulheres no poder autárquico".."Todo o discurso é feito para enaltecer a capacidade da mulher, mas são estabelecidas barreiras invisíveis para que as mulheres cheguem a determinado patamar, nomeadamente na chegada aos órgãos do poder de decisão, barreiras que não são claras, mas que existem e nós as mulheres sabemos", referiu..E recordou que, quando foi candidata a primeiro-ministro de Cabo Verde, em 2016, conheceu estas barreiras que teve de enfrentar e foi alvo de discriminação por ser mulher.