Jordão deu lugar a Rui Manuel Jordão. O antigo futebolista natural de Angola surgiu ao pé da cadeira de Samuel Beckett, a instalação que ele próprio criou para uma exposição de pinturas inaugurada sábado passado no Museu do Vinho da Bairrada, na Anadia. Uma exposição a cuja inauguração oficial faltou, aparecendo apenas duas horas depois na tentativa de fintar os jornalistas. Afinal, o que levou Jordão, a velha glória do Benfica e do Sporting, a desaparecer do mediatismo que o desporto-rei lhe concedeu? .A resposta está nas telas. Porque o próprio nem a palavra futebol utiliza! "Deixei a minha outra actividade, depois foi só desenvolver a paixão que já tinha desde os dez anos", explicou ao DN gente. .Figuras com Tinta tem telas com cores fortes e contrastes, sob a forma de colagens. Até 9 de Março, será possível apreciar as suas obras, bem como as esculturas de José Plácido e a pintura de mestre Cândido Teles, já falecido..Jordão nasceu em 1951. Foi ídolo no futebol. Em 2001, já havia encostado há muito as chuteiras, concluiu Pintura e Desenho na Sociedade Nacional de Belas-Artes em Lisboa. Frequentou também o Curso de Modelagem, ministrado pelo escultor Sebastião Quintino e o atelier livre de pintura com o pintor Jaime Silva..Que técnicas mais aprecia? "Fa- ço técnica mista, uso muito acrílico, muitos trabalhos de colagem." Faz também instalações. À mostra na Anadia, "como o tema gira à volta da figura pintada", Rui Manuel Jordão levou figuras de mulheres, mas sem razão especial: "Não há nenhuma ideia de trabalhar esse tema, poderá ser talvez um desvio de percurso, talvez pontual.".A pintura domina agora a sua vida. "Sempre houve uma apetência pelas artes. Ela esteve adormecida algum tempo, sempre em função da minha actividade anterior a esta, mas as coisas, quando têm de acontecer, acontecem". Isto é, "houve uma procura, ou um reencontro com a arte." De futebol, nem mesmo uma palavra.