Lisboa abre as portas aos jardins nos próximos dois fins de semana, naquela que é a 10.ª edição do festival Jardins Abertos, durante o qual os espaços verdes da cidade podem ser visitados de forma gratuita. E como esta edição é especial, a organização decidiu mostrar pela primeira vez dez novos jardins da cidade, recordar outros dez e ainda dar a conhecer uma dezena de obras artísticas.."Entre as novidades destaco o pátio do Hotel Hotel, perto da avenida da Liberdade, que é particularmente fascinante, mas também o Espaço Biodiversidade de Monsanto, que tendencialmente está fechado e fala muito sobre a lógica da biodiversidade, da flora e da fauna, o Convento de Santos-o-Novo, cujo claustro tem um jardim em topiaria fascinante", explica ao DN Tomás Tojo, diretor do Jardins Abertos. "Falamos sempre de jardins cujo acesso não é facilitado e que, no contexto do festival, conseguem ser visitados gratuitamente", acrescenta o responsável..As visitas guiadas por profissionais de áreas que vão desde o paisagismo, tipologia e biologia, e que, segundo Tomás Tojo, "têm sempre pontos de vista muito oportunos em relação a estes jardins e fazem sempre umas visitas com uma contextualização muito enriquecedora". "Uma dessas visitas que acho particularmente fascinante é a do Jardim Gulbenkian, que já conhecemos bastante bem, mas que, neste contexto, é feita com a arquiteta Aurora Carapinha, uma das maiores arquitetas paisagistas e pensadoras dos jardins da contemporaneidade do nosso país e que foi aluna do Gonçalo Ribeiro Telles", revela diretor do festival, destacando outras personalidades que vão envolver-se nas visitas: "Temos também o Ivo Meco, que tem um livro publicado sobre os jardins de Lisboa, a Teresa Andresen, uma grande entendedora dos jardins históricos em Portugal, o João Albuquerque, que vai falar sobre o jardim da Tapada das Necessidades, a Teresa Chambel abordará as memórias do Jardim Botânico da Ajuda, um jardim histórico e pedagógico.".Além destas visitas guiadas, existem outros espaços que podem ser visitados também de forma gratuita, mas cuja entrada também é livre durante os dois fins de semana do festival. São eles a Horta do Alto da Eira, o claustro do Convento de Santos-o-Novo, o jardim do Palácio do Grilo, o pátio do Hotel Valverde, o Jardim dos Barbadinhos, a Raiz Farm, o pátio do Hotel Hotel, os jardins do Palácio da Mitra, o Espaço da Biodiversidade de Monsanto e o jardim da Quinta de Santa Clara. "Os jardins são sempre pensados na lógica de uma diferente abordagem e os diferentes olhares sobre o espaço verde. Portanto, vão desde formas de cultivo filosoficamente mais contemporâneas, em oposição às formas tradicionais - estamos a falar de agricultura sintrópica, permacultura e agroflorestas. Temos inclusive visitas guiadas aos três laboratórios vivos do Instituto Superior Técnico", revelou Tomás Tojo, explicando que a programação do festival "vai desde os pátios aos palácios"..Criado em 2017, o Jardins Abertos "é uma estratégia, mas sobretudo uma resposta a esta vontade que é debater os temas da ecologia". Na prática, "é consequência de uma série de outros projetos nos quais esta equipa já trabalhava, desde a jardinagem de guerrilha até à ocupação do espaço público através da jardinagem", diz o responsável..Com duas edições anuais - a de primavera nos últimos dois fins de semana de maio e a de outono que vai agora começar - o número de pessoas que adere às visitas proporcionadas pelo Jardins Abertos tem vindo a crescer de forma consistente. "Começámos com 80 participantes, passámos de um ano para o outro para oito mil, depois 12 mil, 16 mil, 30 mil e, atualmente, temos cerca de 80 mil participantes anuais, o que reflete muito a vontade de debater estes temas", assegura Tomás Tojo, referindo ainda que nestas dez edições foram abertos cerca de cem jardins. Houve mais de 230 visitas guiadas e mais de 180 atividades. Tudo com a colaboração de cerca de 80 a 100 voluntários por edição que, entre outras coisas, garantem o respeito pelas regras das visitas, mas também ajudam os visitantes a perceberem melhor aquilo que estão a ver..Sábado.Está programada a visita guiada aos Jardins das Necessidades, que será conduzida por João Albuquerque Carreiras a partir das 12.00 horas e terá a duração de uma hora. O acesso é limitado a 25 pessoas, por ordem de chegada. Às 14.00 começa a visita guiada por Silvia Di Salvatore aos três Laboratórios Vivos do Instituto Superior Técnico (IST): Hortus, Parede Verde e Coberturas Verdes. Tem a duração de 60 minutos e será para um grupo de 20 pessoas, havendo novas visitas às 15.00 e às 16.00..Domingo.Às 11.00 horas começam as visitas guiadas à Estufa Fria de Lisboa com Ivo Meco - duração de 90 a 120 minutos, lotação para 25 pessoas - e ao jardim da residência oficial do primeiro-ministro com Teresa Andresen (50 minutos, 25 pessoas), sendo que esta última tem uma segunda edição às 15.00. A Horta-Mãe da Refood, no Parque das Nações, poderá ser visitada (às 14.00, 15.00 e 16.00 horas) com a ajuda de Maria Gonçalves e Indira Andrade, durante 60 minutos e com limite de 20 pessoas. Quem preferir, às 14.00 e 16.00 pode ficar a conhecer a Horta FCUL da Faculdade de Ciências (visita de 60 a 90 minutos, com 20 pessoas)..29 de outubro.A arquiteta paisagista Aurora Carapinha fará às 11.00 e 15.00 horas uma visita pelo Jardim Gulbenkian centrada nos 100 anos de Gonçalo Ribeiro Telles (90 minutos, 25 pessoas). Também às 11.00, a arquiteta Teresa Chambel partilha as memórias do Jardim Botânico da Ajuda (60 minutos, 25 pessoas), Rui Costa guia uma visita ao Parque Botânico do Monteiro-Mor (60 minutos, 20 pessoas) e pode conhecer-se o jardim do Museu de Lisboa - Palácio Pimenta (60 minutos, 25 pessoas). Às 12.00, João Albuquerque Carreiras volta ao Jardim das Necessidades e haverá novas visitas ao IST (14.00, 15.00 e 16.00)..30 de outubro.É a oportunidade de conhecer ou rever a Estufa Fria de Lisboa (11.00) com Ivo Meco; o Jardim Botânico da Ajuda através de Teresa Chambel (11.00), a Horta-Mãe da Refood com Maria Gonçalves e Indira Andrade (14.00, 15.00 e 16.00) e ainda a Horta FCUL da Faculdade de Ciências de Lisboa (14.00 e 16.00) com a equipa da Permalab..ana.meireles@dn.pt