No PSD há já muitos que acreditam que, desta vez, Cristo não desce mesmo à Terra, e sem ele Marcelo Rebelo de Sousa dificilmente avança para as próximas directas no PSD. "Se a legislatura chegar ao fim, o que é um incógnita, acontecerão outras directas antes das próximas legislativas e após as presidenciais", lembrou ao DN um dirigente social-democrata. .Um raciocíonio destinado a demonstrar a possibilidade do professor querer esperar por uma 'hora' mais conveniente e mais próxima da disputa do poder com o PS para se lançar numa corrida à liderança do partido. .Com a muito provável saída de cena de Marcelo - que ainda há uma semana rejeitou na RTP1, e pela terceira vez, a possibilidade de se candidatar à presidência do PSD - começa a ganhar algum peso a ideia de que "Pedro Passos Coelho pode acabar por ir às directas sozinho", como vaticina um deputado social-democrata. ."É preciso testá-lo. Se se sair bem em dois anos de mandato, que vão ser muito intensos e difíceis para quem for líder da oposição, será mais dificil destroná-lo em 2013. Mas se for um presidente fraco, outras figuras, como Rui Rio ou até Marcelo, poderão disputar com ele, nessa altura, a direcção do partido", refere a mesma fonte. Tudo no suposto que o governo minoritário de José Sócrates também sobrevive quatro anos às investidas da oposição..Esta possibilidade de Passos Coelho ir a solo às directas de 2010 não encontra eco junto de um dos vice-presidentes do PSD que, sem se querer identificar, frisa que "não é essa a tradição no PSD". Na sua opinião, "aparecerá sempre alguém deste lado [leia-se do lado de Manuela Ferreira Leite ou dos barrosistas] a candidatar-se". Agora quando se pergunta "quem?", a resposta é menos decidida: "Vamos ver..." .Fontes parlamentares afirmam ao DN que José Pedro Aguiar-Branco, visto como potencial candidato à liderança, pode nem se vir a posicionar nesse sentido. Garantem mesmo que "começou a estabelecer pontes" com Pedro Passos Coelho, tanto mais que o seu braço-direito no Parlamento, Agostinho Branquinho, foi mandatário de Passos no Porto nas directas de 2008. E para a própria direcção da bancada escolheu para vices dois nomes que lhe são próximos, nada mais que Pedro Duarte e Miguel Frasquilho. .Nas duas últimas semanas as distritais do PSD deram nota de que estavam muito inquietas. Grande parte delas, incluindo a de Lisboa e Porto, reivindicaram eleições internas com urgência. Pedro Santana Lopes defendeu o acelerar do processo. Alegavam que a situação do País, na qual se incluía uma potencial crise política aberta pelo caso das escutas ao primeiro-ministro, e as divisões no seio do grupo parlamentar do partido, justificavam o apelo.."Podem espernear o que quiserem, que o partido deve cumprir o que foi consensualizado no último Conselho Nacional, ou seja que será marcado um Conselho Nacional após o debate do Orçamento de Estado", diz um membro da direcção do PSD, para o qual "nada justifica uma mudança de posição do partido". A mesma fonte frisa que se "quando o PSD tiver cumprido o seu papel no debate do Orçamento, que se pode estender à discussão na especialidade, está esgotada a sua missão e as directas serão marcadas". .O que significa que Manuela Ferreira Leite poderia até marcar o Conselho Nacional, a quem cabe agendar as eleições internas, durante o debate do OE, mas as directas apenas deverão ocorrer em Março como já estava previsto e não em finais de Janeiro como pretendem as distritais. Uns meses de folga para que apareça o candidato alternativo a Passos Coelho. .De resto, ontem o presidente do Concelho Nacional, Rui Machete, secundou a tese da direcção: não há directas antecipadas.