Milhares de iranianos voltaram este fim de semana às ruas, desafiando uma ordem da poderosa Guarda Revolucionária para interromper as manifestações, que já vão na sétima semana, provocadas pela morte de Mahsa Amini. Estudantes reuniram-se durante a noite de sábado e no domingo em todo o país, mesmo depois de o major-general Hossein Salami, chefe da Guarda Revolucionária Islâmica, ter deixado um aviso aos manifestantes: "Não venham para as ruas!".Este domingo, forças de segurança dispararam tiros e gás lacrimogéneo contra uma reunião de estudantes na cidade de Sanandaj, sendo que vídeos do incidente mostram nuvens de fumo, ouvindo-se gritos de "liberdade", informou a organização Hengaw, com sede na Noruega..As autoridades iranianas têm endurecido a repressão nas universidades com a expulsão de estudantes das faculdades e residências pela sua participação nos protestos desencadeados pela morte de Mahsa Amini, para além da detenção de um número indeterminado de estudantes..Fontes universitárias disseram à agência EFE que este fim de semana houve numerosas expulsões de estudantes de universidades e residências estudantis em Teerão, pelo seu papel nos protestos. "Até agora os estudantes podiam protestar num clima de relativa liberdade", disse uma fonte universitária à EFE, que solicitou o anonimato, acrescentando: "Isto acabou"..Vídeos partilhados nos meios de comunicação social pelo coletivo 1500tasvir mostraram uma forte repressão policial no sábado na Universidade de Azad, na cidade de Mashad, a capital espiritual do Irão no noroeste do país. Num dos vídeos, os estudantes são vistos a fugir da polícia para evitar serem espancados..Na Universidade de Teerão, eclodiram confrontos entre estudantes e a Basijis, a milícia voluntária leal à República Islâmica. "Basiji, guardas revolucionários, vocês são o nosso ISIS", cantavam os estudantes..Horas antes, estudantes masculinos e femininos da universidade tinham comido juntos nos espaços abertos universitários para protestar contra a política de segregação de género do país. À noite, o dormitório estudantil no campus de Teerão foi "atacado" pela polícia à paisana, segundo os ativistas, e foi efetuado um número desconhecido de detenções. Cenas semelhantes tiveram lugar em universidades de todo o país, de acordo com ativistas..A Associação de Jornalistas de Teerão publicou este domingo uma carta assinada por 300 repórteres em vários jornais iranianos apelando à libertação das colegas Nilufar Hamedi, que foi para o hospital onde Amini foi internada, e Elahe Mohammadi, que cobriu o seu funeral. As duas foram acusadas de trabalhar para a CIA pelas agências de informação iranianas.."O jornalismo não é um crime", disse o diário Sazandegi na sua primeira página, uma frase acompanhada de fotos de Hamedi, Mohammadi e 11 outros jornalistas detidos por relatarem os protestos desencadeados pela morte de Amini em 16 de setembro, depois de ter sido detida pela polícia moral. Já o jornal Hammihan dedicou a sua primeira página exclusivamente a Hamedi e Mohammadi..Com agências