O Forte de Albarquel, um dos equipamentos do Ministério de Defesa que esteve votado ao abandono e vandalismo durante décadas, vai ser recuperado ao abrigo da lei do mecenato e deverá abrir portas à cultura dentro de um ano. A fortificação seiscentista que é banhada pelo rio Sado, no sopé da Serra da Arrábida, foi ontem gratuitamente cedida pelo Governo à Camara de Setúbal, mas a sua requalificação, orçada em cerca de 2 milhões de euros, vai ser assumida pela fundação da inglesa Helen Hamlyn. Uma "apaixonada por fortes e por Setúbal", justificou a presidente da autarquia sadina, Maria das Dores Meira..Segundo revelou a autarca, há muito tempo que Helen Hamlyn tinha demonstrado disponibilidade para oferecer as obras de intervenção no forte à Câmara de Setúbal, como já fez com outros equipamentos espalhados pelo mundo. "Há alguns anos que tínhamos solicitado a passagem da fortificação para a Câmara, mas só este Governo o fez", congratulou-se, após assinar o acordo de cedência com as secretárias de Estado do Tesouro, Isabel Castelo Branco, e Adjunta e da Defesa Nacional, Berta Cabral..O forte, que integrou a linha defensiva do litoral, sendo mandado construir por D. João IV, vai ter várias valências. Além de ser um núcleo museológico, deverá receber exposições permanentes e temporárias e eventos culturais, desde concertos de música de câmara, a recitais de poesia, até peças teatrais..Diz o protocolo que o imóvel fica na posse do município por 32 anos. O período foi fixado em função do investimento que vai ser realizado e que equivale ao valor da renda do imóvel que teria de ser paga ao Estado, como explicou Isabel Castelo Branco. Berta Cabral alertou estar dado o passo para que o património não se degrade mais, admitindo que o Ministério da Defesa vai o fazer o mesmo com outros edifícios seus no país..Mas além de ter garantido o apoio a fundação Helen Hamlyn - a mesma que financia o Festival de Música de Setúbal - Maria das Dores Meira assegurou também a participação de outro privado na intervenção que vai requalificar o espaço envolvente ao forte, com a construção de um passadiço destinado a ligar o Parque Urbano de Albarquel à praia. A Fundação Buehler-Brockhaus, constituída por um casal alemão radicado em Setúbal, assume esta intervenção, enquanto a autarquia fica responsável pela construção de um parque de estacionamento..Dores Meira explica assim a ajuda dos mecenas: "não conseguimos de outra forma, não há dinheiro". A autarca acredita que depois estarão reunidas condições para que seja construído um hotel de cinco estrelas no terreno contíguo ao forte. Uma área que continua na posse do Estado e teria de ser vendida em hasta pública. "Há interessados", assegura a autarca.